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domingo, dezembro 10, 2006

A memória da festa que o amor causou

Hoje recebi esta prenda, enviada pela Olga Castro, professora minha colega, já aposentada, autora de manuais escolares de boa memória e de muita actualidade e pertinência pedagógicas. Os noivos são reconhecíveis, ela por estar de vestido branco, Eliana, ele por estar de gravata prateada em fato preto, João Miguel. Eu estou bem entre o meu compadre e pai do noivo, à minha direita, e uma risonha e airosa menina, à minha esquerda. A minha esposa está ao ladinho do noivo e à sua frente está a Olga Castro, com a mãe do noivo, minha comadre Ana, as duas em dois tons de verde que a esperança fará perdurar até próximo encontro festivo. Eu fui de laçarote por disposição artística, para mais eficiente direcção do coro no acto da celebração religiosa, esta no Mosteiro da Serra do Pilar, sobre este Douro que agora se vai ver, em fotografia também tirada pela Olga. Ainda bem que há maquinetas que digitalizam os momentos mais felizes do olhar. Isto já foi em Julho passado, mas ainda agora há-de ser assim, se por lá passarem outros olhares interessados e apaixonados. Juntam-se as pessoas nos lugares e os lugares ganham os olhos das pessoas. Encontros felizes. Obrigado, Olga Castro.

sábado, dezembro 09, 2006

Se não houver o que nós queremos

Voltamos a procurar
É verdade, tem de ser, ou nos mesmo sítios ou noutros, como se fora esta a nossa razão de ser: procurar. O quê? A explicação para o sofrimento, ou antes, a explicação para lhe dar sentido ou para o projectarmos como sentido de nós próprios, como horizonte, neste querer dizer que a palavra é um futuro de valores, de explicações, de soluções ou de suspensões. Coloca-se a questão de Deus, pois que se coloque, mas não para colocar na conversa um juízo ou uma fixação deterministíca, mas antes para considerar que a questão de Deus é a nossa questão, resolver com Ele é resolver connosco e entre nós e para nós, é validar para um futuro de nós a mesma necessidade e a mesma explicação. O sofrimento é então uma marca indelével de nós, é-a também de Deus e a explicação para ele terá de sossegar os dois: no homem como marca de temporalidade provisória, em Deus como desejo absoluto de superação. Deixo assim, porque a resposta ao meu poema de Natal, por parte de meu compadre João Alves Dias me fez enveredar por aqui e senti que não tenho fôlego para muito mais. Esta problemática do sofrimento, vista só pelo nosso lado de mortais e finitos, é uma procura desesperada de soluções, é um acumular de investimentos e de esperanças, é um desencadear de queixas e queixumes, mas também de resistências e de superações. Mas vista pelo lado da transcendência espiritual, logo também pelo lado de Deus, esse que seja nosso ou de outros, requer mais esforço de superação dos limites em que pensamos ou em que estamos habituados a pensar, disto não tenho dúvidas. Então, onde estribar esse desejo ou esta necessidade de superação?

domingo, dezembro 03, 2006

Um poema para a Mediação escolar

Eu sou capaz

Refrão:

Eu sou capaz, eu sou capaz,

Digo isto de cor,

Eu sou lindo (a), eu sou bonito(a),

Eu mereço o melhor.

Hoje o dia está

Tão maravilhoso,

Abro os olhos já,

Tudo é espantoso.

Abro a boca e canto

A felicidade.

Mostro o meu encanto

Rio-me à vontade.

Hoje a vida tem

Lições positivas.

Eu procuro bem

Minhas perspectivas.

Preparo o futuro,

Olho para a frente,

Vou-lhe dar no duro,

Estou aqui presente.

Refrão:

Eu sou capaz, eu sou capaz,

Digo isto de cor,

Eu sou lindo (a), eu sou bonito(a),

Eu mereço o melhor.

Todo o ser humano

É uma estrela imensa,

Brilha todo o ano,

Acredita e pensa.

Olho a energia

Que o Sol me dá

Pra vencer um dia

Sei que chego lá.

Eu posso alcançar

Onde os outros vão

Tenho luz no olhar

Paz no coração.

Não deixo que a lua

Se apague em mim,

Sigo, venço a rua,

Vou até ao fim.

Refrão:

Eu sou capaz, eu sou capaz,

Digo isto de cor,

Eu sou lindo (a), eu sou bonito(a),

Eu mereço o melhor.

Levanto a cabeça:

Como é linda a vida!

Pra que eu a mereça

Tem de ser vencida!

Por uma batalha,

Não se perde a guerra,

E só quem trabalha

É que ganha a terra.

Tudo tem solução

Com honestidade,

Trago em minha mão

Ânsias de verdade.

Esta vida assim

Vale mais que o ouro

É o meu jardim,

É o meu tesouro.

Refrão:

Eu sou capaz, eu sou capaz,

Digo isto de cor,

Eu sou lindo (a), eu sou bonito(a),

Eu mereço o melhor.

Poema de Natal 2006

Voltar ao presépio

Já pensei que o Natal pudesse ser

A razão mais ousada e libertária

De um pobre, rebelde, ou guerrilheiro,

À procura desse outro amanhecer:

Em que o povo, de posse igualitária,

Une as mãos e convence o mundo inteiro.

O Natal, estratégia de poder,

Desafio, cruzada visionária,

Testemunha, profeta, timoneiro!

Foi assim. Acabei por me perder.

E o meu sonho, por mão humanitária,

Convalesce, pasmado num pinheiro.

Vou voltar ao Presépio do Menino

E pensar de outro modo o meu destino.

(São os nossos votos de Boas Festas
e de um Ano Novo cheio de sucessos.
José Machado e Albertina Fernandes.

Braga, Natal de 2006)

domingo, novembro 26, 2006

Pós-casamento: o amor no dia seguinte

Foi surpresa para a maioria dos convidados, ainda que houvesse uma quase certeza de suspeitar que a festa era para anunciar o casamento ou o compromisso entre os noivos, mas quase ninguém supusera que eles fossem apresentar a cerimónia do casamento de véspera neste dia seguinte. O Carlinhos Couto, nosso amigo desde pequeno, agora engenheiro civil na empresa do sogro, convidara-nos para a festa de anos da Filipa, sua noiva, dentista, menina que sempre víramos tímida e recatada, mas de um sorriso desarmante. Foramos com aquelas prendas que se dão por anos, mas que não se indicam para o casamento, se calhar as prendas certas para uma surpresa do género daquela que nos fizeram, uma para guardar o retrato dos noivos, outra para o noivo ele próprio se lavar em dia de empreitada de caboucos. Os pais de um e de outra bem que andavam com um ar comprometido, mas a gente nunca iria suspeitar que fosse o ar de já terem mais um filho no rol das funções familiares. Boa surpresa seria ainda aquela que os desse por adiantados já em matéria de herdeiros, mas dessa não soubemos, cá fica a ideia de que lhes ficaria bem, até porque a noiva estava esplendorosa, feminina, deninibida, maternal e o noivo tinha aquele ar desinteressado das obras de papel que nunca mais se alicerçam no terreno. Já gora, outra surpresa dentro da surpresa: o filme do casamento da véspera levou na montagem para o dia seguinte os Beatles, Imagine e Let it be, inspirações de uma cultura pop em que toda uma geração de pais se banhou e com a qual se prolongou neste futuro que foi a festa do casamento dos filhos. Há sons que fazem caminho pelos nossos corpos! Deixa andar! Se calhar está na mesma linha de imaginar um mundo de amor o poema que dediquei ao Carlinhos e à Filipa, os filhos de outros que me dão cuidados.

Poema aos filhos dos outros como se foram meus

A gente se convence

Que os cria,

Que os guia e lhes porfia

Um tempo venturoso de voar.

Mas quase, a gente sabe

E desconfia

Que um dia esta harmonia

Se torna conflito e mal-estar.

Então, resta o amor,

Entregue a si:

O teu, de mim flor,

O meu, raiz de ti.

De todo, há um modo

Singular

De amar e partilhar

As horas mais propícias à razão.

Mas sempre se pressente

O divagar,

Vulgar e lapidar,

Das perdas que nos traz a solidão.

Então, resta o amor,

Entregue a si:

O teu, de mim flor,

O meu, raiz de ti.

Guardo esta saudade

De o teu corpo, em nossa vida,

Ser um verbo meu.

E tenho em minha idade

A do teu rosto, como prova viva

Deste amor ser teu.

José Machado / Braga, 24 de Novembro de 2006

domingo, novembro 19, 2006

Deveres de ofício

De 14 de Out. a 18 de Nov. - Aos sábados, curso de formação sobre a TLEBS (Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário), na FAC-FIL, com o professor Doutor Augusto Soares da Silva, um investigador da linguística cognitiva. O curso veio na hora, a matéria arrasta-se em polémicas nos jornais, com muita gente a reagir contra a renovação do corpus terminológico gramatical e este a precisar de mais estudo e de mais investimento nas escolas, escolas onde alastra uma desmotivação pedagógica nunca vista, alimentada pelo ME, tão desastrado a pegar fogos como a querer apagá-los, incapaz de se consciencializar da necessidade de uma didáctica para as mudanças que pensa implementar. Os intelectuais que têm vindo ao terreiro lançar farpas contra a TLEBS têm contribuído, apesar de tudo, mais para a sua continuidade de estudo: Carmo Vieira destrói e não constrói, mas leva-nos a duvidar de que esteja certa; Alzira Seixo problematiza e estimula mais o estudo; Graça Moura anda cá e lá, perde-se em cautelismos e em estratégias de edição e de Palops, mas incentiva sempre a que se prove melhor o que se quer atacar; Prado Coelho alerta para a pragmática, mas o caminho já anda a ser trilhado há muito; Álvaro Gomes demora a encontrar uma resposta e ele até poderia dar soluções no interior dos novos suportes científicos que estimulam a mudança; gostei do artigo da professora Assunção Caldeira Cabral, hoje dia 19 de Novembro, no DN; faço minhas as suas palavras.

Terças e Quintas - Desde Outubro, eu e a minha mulher estamos na hidroginástica, na piscina da Casa Sacerdotal, das 18.00 às 19.00 horas, uma actividade em simultâneo que só tem trazido vantagens. Boa ideia!

Terças, à tarde, das 15.00 às 17.00 - Gaita de foles, aprendizagem e treino, como Paulo Pirata Petulante, assim mesmo, galego quase a chegar aos trinta, monge budista na aparência, músico de formação popular e clássica, instrumentista de eleição. Uma oportunidade há muito desejada, vou ver se aproveito bem, sem a pretensão de chegar longe, mas de me ser útil a mim próprio que sempre tive a ideia de tocar umas gaitadas. O grupo de aprendizes pode ainda crescer, mas é motivado e motivador.

Quintas, das 15.00 às 16.00 H - Na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva: histórias para os miúdos, tenho de as contar senão esqueço-as e depois não as poderei inventar no futuro. Já me viciei em precisar de histórias.

Quintas, das 21.00 horas às 23.00, ensaios da Associação Cultural e Festiva «Os Sinos da Sé» na Escola Francisco Sanches, um grupo a que pertenço desde 1978/79, dedicado à música folclórica minhota, mas também de estudo e de animação. Ando por lá a puxar a carroça, ainda não desanimei e tenho trabalho até mais tarde, mas gostava de ver mais gente nova a entrar, até com o desafio de outros instrumentos e de outros sons que foram fazendo a nossa tradição de músicas e de cantigas e que não deveríamos deixar esquecer. Pena que a pontualidade não seja a regra e que alguns andem a desmoer, mas é de aguentar, ainda dá prazer e a festa é apreciada por outros que gostam de nos ouver.

25 de Outubro - o Duarte, nosso sobrinho, fez 10 anos. Anda também na minha escola, no 5º ano, já tem memórias na caderneta escolar, questões de estilo pessoal e de acomodação ao grupo; é de si próprio um rapaz com graça e com poder de criação. Estou para ver, mas espero bem que seja sempre ele a descobrir-se.

1 de Novembro - No cemitério, a visita aos amigos e familiares que nos enchem a memória de bons momentos e de boas lições de vida. O tempo recompõe-nos, a vida consolida-nos.

14/11/06 - Conselho Consultivo do Theatro Circo: fui convidado a fazer parte, aceitei-me a representar a música de tradição oral, o folclore, a cultura popular, «programas» eventualmente possíveis nesta Casa de espectacular renovação. Numa contemporaneidade que já se preocupa sempre com a sua auto-representação popular, o caminho parece facilitado: por lá deverão passar todas as artes da tradição e todas as tradições de arte, com a qualidade crítica julgada por quem de ofício, que é para isso que recebe, e na sua responsabilidade há-de estar, certamente, o dever de saber ouvir.

19 - feira de campo - Sábado, fomos a Raiz do Monte visitar os pais, eu e a Tininha, assámos lá umas castanhas em forno de lenha, fizemos um arroz de polvo, fomos a Jales visitar amigos e conversar, fomos ver o novo supermercado que abriu nas Alminhas. Minha Mãe está mais pesada e menos, menos, móvel, mas conversa bem; meu pai parece ter voltado a ser quem foi: falador, cáustico de causas e de homens, sobretudo de quem governa, adepto emotivo do FCP, leitor de jornais, preocupado. Na viagem ouvimos o «Ligação Directa» de Sérgo Godinho, com agrado.

Amanhã é outro dia para continuar como hoje e como ontem, semana a semana, nesta teimosia de prestações. A escola ocupa agora mais o tempo, menos bem, mas mais, e o tempo mal ocupado pesa mais nas costas. Soube notícias de nosso afilhado, as coisas parecem estar a correr melhor, a recuperação está a instalar-se.