Pesquisar neste blogue

sábado, setembro 02, 2017

Dois poemas para o novo ano escolar


I - Quadras para o início do ano escolar:

A escola é como a sopa!
E faz melhor à saúde
Quanto mais se comer toda
A dose que for virtude.

Também se compara à escola
O viver ligado em rede;
Quem suas funções controla,
De consultas mata a sede.

Igualmente a vida urbana,
Também lhe é comparável;
Compreender a sua trama
Quer esforço regulável.

Que dizer das sapatilhas
Pra jogar ou caminhar?
Servem às mil maravilhas
Para a escola confirmar.

Mesmo até a boa vida, 
O descanso e o lazer ;
Requerem peso e medida 
Como a escola pode ter.

Escola é meio, é processo,
Modo de vida, alimento,
Concentrado ou disperso
Sempre em viagem no tempo.

José Machado /2017-2018


II – Um jardim é uma escola! 

No princípio foi assim:
Inventou-se a escola
A partir da imagem de um jardim
(Metáfora que consola
Muita gente além de mim):
Às espécies variadas dos canteiros
Deu-se o nome de alunos,
Aos mestres, chamou-se jardineiros,
E o trabalho, simples ou por turnos,
Ficou a depender da intensidade dos viveiros.

Depois vieram outras representações:
Desde fábricas, mercados, armazéns, até prisões…
Mas a ideia de jardim resistiu sempre
Dada a variedade permanente
Que as espécies cultivadas revelavam,
Não obstante a mesma rega que levavam…

Hoje, o stress comunicacional
Traz outras imagens a esta instituição:
Tipo vacina, dose mínima, cartilha, caldo cultural,
Aparelho ideológico de uniformização,
Enfim, circo, espectáculo, corrida, festival.

Tudo evolui e parece desigual
Mas eu, dado o poema precisar de um fim,
Ainda penso que a beleza intensa e natural
Se cultiva nesta imagem de um jardim.


José Machado, 2017-2018

sábado, agosto 26, 2017

Em prol de um centro interpretativo das Minas de Jales

https://www.facebook.com/minasdejales/videos/1603606019683959/

As imagens começam a estar muito deterioradas pelo tempo e pelas próprias vivências das pessoas que sobrevivem, mas as palavras mantêm-se com o vigor todo, pelo menos as de meu pai, com os seus 90 anos e início de trabalhos nas Minas de Jales em 1947. Toda a história da mina a diz por impulso, cola-se-lhe às palavras e sai-lhe pelos olhos, procurando arrastar-nos para a salvação da perda absoluta. Digo a brincar que as minas romanas têm menos suportes físicos de memória funcional e todavia funcionam como centro interpretativo em Três Minas, pois à medida que rareiam provas aumentam fantasias de suposição e de verosimilhança.  Em Jales começou a estreitar-se o tempo de fazer algo pela memória dos trabalhos que ali se desenvolveram durante séculos, mas com uma incidência de lavor industrial intensivo na segunda metade do século XX. Depois de casa desfeita, depois de empresa dissolvida, depois de espalhados ao vento muitos  papéis, depois de enrolados muitos cabos de fio, depois de muitas ousadias de posse, porventura na intenção boa de salvaguardar memórias e recordações, talvez ainda sobrem muitos objectos, muitas imagens, muitas amostras. Vamos então aguardar e começar a ver por onde se vão conduzir agora os topógrafos da musealização ou da interpretação. Não seria mau de todo, nem perda de tempo, que a autarquia aguiarense, que vai deitar mãos à obra, avançasse no terreno com a gravação de memórias e de relatos, ainda emitidos em primeira mão por aqueles que ali trabalharam nos últimos anos. Estas gravações até se integrariam mais tarde num centro de  oralidade, para também se fixar uma pronúncia, uma fala, uma entoação modulada pelos sentimentos de pertença. Existirá sempre uma história da mina na cabeça de cada habitante, mas será bem possível demonstrar aos visitantes do futuro centro interpretativo como é que viveram e se formaram ali gerações de cidadãos orgulhosos de suas raízes e de suas passagens.

terça-feira, agosto 22, 2017

Passou mais de um ano desde a minha última publicação no blog. Vou regressar a partir do dia 25 de Agosto deste ano de 2017. Aqui continuarei a deixar textos de reflexão sobre os mais variados assuntos em que se manifestar meu desejo de escrita.

quinta-feira, março 17, 2016

Cascas e aparas – programa de 19 de Março de 2016

(uma crónica para a Rádio Francisco Sanches) 


Hoje é o dia do pai, a festa de S. José, o pai adoptivo de Jesus, uma história bíblica que ilustra para o povo Cristão o mistério da concepção de Maria e, num plano mais antropológico, funda no indivíduo e no social o cumprimento da missão de educar os filhos e de estabelecer a família numa relação de ordem moral transcendente aos naturais desejos de uma relação amorosa. 

Hoje é o dia do pai e devo recordar aqui quanto fico a dever ao meu, agora já próximo dos 89 anos, homem natural de Nogueira, freguesia de Vila Real, onde existe uma célebre banda de música que goza da fama de se esfarrapar toda para cumprir os seus objectivos - teve sempre para mim o significado de entrega total a uma causa este verbo esfarrapar. Meu pai teve e tem uma narrativa pedagógica sobre si e sobre os seus, familiares e vizinhos ou moradores na terra, um aterra dedicada ao vinho, nas encostas do Douro superior, uma narrativa que hoje é toda politicamente incorrecta pois se baseia no valor do trabalho desde tenra idade, primeiro o trabalho de aprender as letras e de as ensinar a outros, depois o trabalho das vinhas e do ganha-pão. Com a idade de saber ler meu pai, nascido em 1927, leria depois o jornal na botica em voz alta, naqueles anos em que a guerra civil espanhola fazia chegar à sua terra alguns foragidos ; com treze anos foi de caixeiro para o Porto e aí se fez o escriturário ou fiel de armazém ou encarregado de negócios que mais tarde, depois da tropa, nas Minas de Jales, lhe garantiria a criação de 9 filhos, resultado de um casamento feliz com minha mãe, natural de Raiz do Monte, Vila Pouca de Aguiar, costureira de saber e profissão para muitas tarefas de confeccionar, coser e remendar roupas para filhos, para a empresa, para vizinhos. 

Hoje é dia de S. José, o santo pai adoptivo que eu encarnei na primeira vez que entrei na procissão solene da festa de S. João em Raiz do Monte, com minha irmã mais velha a fazer de Nossa Senhora e uma criança pelas mãos de ambos, eu tinha como adereços a vestimenta azul, a cabeleira loura e encaracolada e uma serra de aperto de corda, real, autêntica, dos carpinteiros de então, que levava ao ombro. Acho que há por casa fotografias do aparato processional, tiradas por meu pai que tinha uma flexaret, aquela máquina que se olhava na vertical para mirar e disparar ou que se punha sobre um cavalete. Quando era usada a tiracolo por meu pai ainda as fotos ficavam razoáveis e com enquadramento alinhavado, mas se fosse no tripé com o disparo automático ligado, meu pai aparecia nelas de cabeça cortada pois previra o foco e o enquadramento para a altura dos filhos e quase sempre se esquecia de que ao colocar-se atrás de nós não havia espaço todo para ele. 

Falo destas memórias com a ternura que posso, nesta crónica que também é assinalada com toda a tristeza que minha escola viveu esta semana por ter falecido de forma imprevista um dos nossos alunos, o Emanuel, que frequentava o 8º 8. A gente fica sem palavras perante as fatalidades desta natureza, lamenta a perda e procura minorar o sofrimento à família com todas as manifestações de solidariedade. A vida faz-se destas perdas e elas precisam de ganhar sentido em nossos momentos.

Foi também uma semana marcada por uma inspecção do ME aos nossos currículos de educação especial , acto administrativo e pedagógico que nos reforçou a consciência da dedicação que temos pelos nossos alunos cuja formação e educação inclusivas procuramos garantir e  desenvolver. É nesta invocação de um pai adoptivo que me revejo melhor quando reflicto na minha função docente, assumindo ainda com optimismo e confiança esta missão de cuidar dos filhos de outros, de lembrar os que já por aqui passaram e de lamentar a perda intempestiva e precoce de alguns. Obrigado e até à próxima.

sábado, dezembro 05, 2015

Natal - o pormenor

Natal – o pormenor

Existe um pormenor, faz a diferença:
É meu, é teu, é nosso? É da palavra
Que a história do Natal deixou gravada
Na pele do mundo, assim, de forma extensa.

Natal é sentimento de pertença,
A dádiva do amor idealizada,
Não raro, incompreendida e boicotada.
No íntimo do ser, Natal é crença.

Difícil de seguir? Faltam seis versos.
Espero então chegar ao pormenor;
Natal inclui recuos e progressos.

Presépio da inocência sem igual,
Natal é cada um ver-se melhor.
Já vi que compliquei. Feliz Natal!

José Machado / Braga / 2015
(São os meus votos de Boas Festas
e os de minha esposa Albertina Fernandes)


(Mundo em guerra obscurece luzes do Natal, diz o Papa

segunda-feira, novembro 09, 2015

Bento da Cruz: Peirezes/Montalegre 1925 - Porto 2015

Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Braga
10 de Outubro de 2015: Juntar das Vindimas – Homenagem ao escritor Bento da Cruz
No escaparate bibliográfico da Casa, o senhor Correia, a quem desejamos a melhor evolução no seu estado de saúde, por ter caído de uma laranjeira e se ter estatelado no solo contra ela própria e assim ter fracturado a coluna, coisa de moço numa idade que o desaconselhava, ainda que o atrevimento seja muitas vezes progressivo com a idade, expôs quase todas as obras do escritor Bento da Cruz, a maior parte delas aqui apresentadas e aqui saboreadas com a presença do autor, sempre num ambiente propício aos efeitos da sua palavra, sua dele, escritor, de seus pensamentos e sobretudo de sua presença física. Eu tive a honra e o trabalho de apresentar todos os livros expostos, li-os e comentei-os, andei depois por algumas terras a repetir-me, com a presença do escritor e para seu orgulho e proveito, coisas de que me não arrependerei nunca. 
Bento Gonçalves da Cruz nasceu no lugar de Peirezes, freguesia de S. Vicente da Chã, concelho de Montalegre, a 22 de Fevereiro de 1925 e faleceu no Porto, onde morava, perto do estádio das Antas, a 25 de Agosto deste ano de 2015. Jaz sepultado em Peirezes. Viveu então 90 anos, muita idade vivida, é certo, mas sempre pouca para quem tinha a vida da escrita como modo de cumprir a outra. Estudou para padre nos beneditinos de Singeverga, licenciou-se em medicina, exercendo-a como clínico geral e estomatologista, mas foi também político deputado e foi sobretudo escritor. Como médico começou a exercer em Souselas, depois no Barroso, em Pisões, e finalmente no Porto onde se radica em 1971. Logo após o 25 de Abril, fundou o jornal Correio do Planalto de que foi director até à morte, um órgão de informação com ideário de participação política progressista e de esquerda. Teve o seu nome associado a uma escola secundária, a escola secundária Bento da Cruz de Montalegre onde tem busto que o perpetua. Pertencia à maçonaria, à loja «Vitória» do Grande Oriente Lusitano, obreiro do Rito Escocês Antigo e Aceito, rito ligado ao Antigo testamento e à lenda de Hiran, onde acedeu ao 33º grau, ou seja, ao topo, sendo Soberano Grande Inspector General. Na sua vasta obra constam os títulos: Hemoptise, sob o pseudónimo de Sabiel Truta, de 1959, Planalto em Chamas, 1963, Ao Longo da Fronteira, 1964, Filhas de Loth, 1967, Contos de Gostofrio e Lamalonga, 1973 (Prémio “Fialho de Almeida” da Sociedade Portuguesa de Escritores Médicos), O Lobo Guerrilheiro, 1980 (Prémio Literário “Diário de Notícias” 1991), Planalto do Gostofrio, 1982, Histórias da Vermelhinha, 1991, Planalto de Gostofrio, 1992, Histórias de Lana-Caprina, 1994, O Retábulo das Virgens Loucas, 1996 (Prémio Literário (Ficção) da Câmara Municipal de Montalegre), A Loba, 1999 (Prémio Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa 1999), A Lenda de Hiran e Belkiss, de 2005, A Fárria, de 2010 (comemoração dos 50 anos de vida Literária), Victor Branco: Escritor Barrosão, Vida e Obra, 1995 (Prémio Literário de Investigação da Câmara Municipal de Montalegre), Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes, 2005, Camilo Castelo Branco: Por terras de Barroso e outros lugares, 2012, Prolegómenos, 2007, 2009 e 2013.
Das obras aqui apresentadas na Casa poderemos recolher as seguintes linhas de realização da sua escrita, linhas de água ou de génese temática, posto que a grande fonte criadora do seu imaginário verbal tenha sido a oralidade ou conversação polifónica das vozes na casa mãe, no serão da aldeia, no trabalho comunitário, no grupo religioso ou político:
  • Uma linha de intervenção política, num contexto de ideário socialista e de esquerda, concretizada com a biografia de Victor Branco, mas também com os Guerrilheiros Antifranquistas e o Lobo Guerrilheiro.
  • Uma linha de intervenção humorística, de crítica social, de divertimento e recreação, concretizada com as Histórias da Vermelhinha e as histórias de Lana Caprina.
  • Uma linha de ficção narrativa para problematização de usos e costumes, histórias locais e perfis humanos, crítica, invenção e utopia sociais, concretizada nos vários romances: Contos de Gostofrio e Lamalonga, a Loba, Filhas de Loth, o Retábulo das Virgens loucas, Planalto de Gostofrio, A Fárria, Lenda de Hiran e Belkiss.
  • Uma linha de construção autobiográfica para catarse, reflexão e valorização, concretizada nos Prolegómenos e em Camilo Castelo Branco por Terras de Barroso.

Disse acima que a conversação foi a grande inspiradora verbal do seu estilo, da sua escrita viva e dinâmica, cujos traços de coloquialidade são por demais evidentes quer na construção frásica, quer no vocabulário: o falado e o falado por vozes que se engatam umas nas outras, num fluir de casos é que vai originando o sentido. Mas outra grande fonte inspiradora de sua escrita foi a infância tal como a viveu, numa comunidade familiar e de vizinhos em que todo o território lhe esteve acessível e em que toda a liberdade de presença lhe foi permitida: ele calcorreou, experimentou, conheceu, enfim, viveu uma infância de total imersão na natureza, na família, na animalidade, na religião, numa rede de relações humanas estruturadas pelo instinto de sobrevivência, pela rede sub-reptícia de distribuição e exercício do poder entre pares, pela presença do religioso. 

Se tomarmos um escritor como um efabulador do mundo, visando sempre um degrau a mais na progressão da sabedoria e da descoberta do sentido da vida, ao fim e ao cabo, da realização pessoal, ficaremos com a ideia de que Bento da Cruz se consumiu em fazer-nos perceber com mais clareza a nossa rede de instintos e de hábitos, a nossa aprendizagem recalcada das normas sociais, a nossa autoscopia, a nossa adesão às causas, a nossa identidade, a nossa inserção na tradição. Ele trabalhou obsessivamente sobre as nossas obsessões, sejam as mais libidinosamente implicativas de nossas decisões, sejam as mais politicamente manipuladoras de nossas instituições, sejam as mais religiosamente fundadoras de nossos princípios. Mas decidiu em função das suas e de seus princípios e de suas vivências, decidiu em função de sua ideologia, mas deixou a problematização, deixou o riso cáustico, deixou a ironia, deixou a denúncia, deixou o atrevimento, deixou a tolerância, deixou a compreensão, deixou a boa e a má língua que são os instrumentos de que todos fazemos uso para o bem e para o mal. Ao fim e ao cabo expôs-nos para se expor como homem inquieto, ansioso por uma sociedade diferente, mais igualitária e mais justa, menos rígida em seus tabuamentos ou fronteiras de tradição, mais liberta de seus entorses endémicos. Conseguiu-o? Cada um dirá de si, mas não lhe faltaram as palavras nem o estilo.

José Machado 2015

terça-feira, agosto 04, 2015

Voltar à escrita no blogue

Foi no dia 2 de Agosto, em Marrancos, no concelho de Vila Verde, no monte da Senhora da Guia, assim chamado por lá se encontrar uma capela mandada construir pelo senhor Abílio Ferreira, homem dedicado à construção civil, depois de ter sido também emigrante em França, mas hoje, e desde há uns bons anos, entregue à causa do folclore, quer como negociante de trajes, linhos, panos antigos e afins, quer como líder de um grupo onde se encontra quase toda a sua família, o Grupo Folclórico da Associação Recreativa e Cultural de Marrancos.




Fui lá a convite da ARC para ouvir a missa «folclórica» construída a partir de melodias populares às quais adaptaram a letra de cariz religioso ou litúrgico, para cumprir o comum e o próprio da missa. Eles sabem que eu também me dediquei a compor uma missa «folclórica» noutra modalidade de criação e temos uma colaboração estreita no evento «Vamos Bailar à Senhora», para cuja primeira edição, em 2004, contei com a generosa e preciosa colaboração do senhor António Rebolo Araújo, co-fundador do grupo folclórico local, depois de ter regressado da Alemanha onde fundara também o Grupo Folclórico de Santo António de Dortmund.

O que me impressionou foi o enraizamento na vida paroquial que esta iniciativa colheu. O senhor padre Sandro, uma figura conhecidíssima na região pelo seu estilo de evangelização (ele próprio integra uma banda dedicada à música pop), sustentou esta iniciativa em termos religiosos e litúrgicos, numa comunicação em que o ar de família se tornava por demais evidente. O próprio estilo de o senhor padre se trajar para a cerimónia religiosa acentuou a familiaridade e a partilha de valores, vestindo a sua casula bordada ao estilo de «lenço dos namorados», aceitando a imposição nos ombros de um lenço franjeiro de lavradeira, como sobre-capa e funcionando na procissão como véu umeral para transportar a custódia com as relíquias debaixo do pálio. A missa foi cantada, depois houve procissão, esta desceu e subiu a colina em redor da capela, lugar onde se pensa fazer um investimento paisagístico num futuro breve, terminando com uma dança à Senhora da Guia, dança esta retomada dos bailes à senhora do Sameiro, o tal projecto em que estamos envolvidos, interpretada por quatro pares.


O acontecimento valeu pela vivência, estava corporalizado ou encorpado, ou incorporado (o tal conceito de «embodiment» que anda por aí nos estudos sociais), na auto-representação ideal da comunidade paroquial, aquela mesma que o senhor padre desejou que se manifestasse mais vezes com estes sinais de tanto empenhamento.