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segunda-feira, janeiro 11, 2010

A transportar...


No avião, o Rogério, à esquerda, em primeiro plano, uma foto dele que o seu amigo Henrique Matos me enviou. Uso-a agora que ele viaja no céu, entre as estrelas, numa cada vez mais clara presença de valor e de saudade. A transportar, porque a memória é assim mesmo e constantemente me remete para a falta em que me acho desde a sua morte. Os trabalhos comuns não foram muitos, como muitas não foram as horas de partilha, mas o que foi cresce dia a dia e só eu sei o espaço que anda a ocupar em mim. Amigo, onde estiveres, ajuda e propicia-me, ou propicia-nos, os favores da Luz!

Os alunos, e sempre eles! Pela amostra até parecerão proporcionadores de bons momentos de trabalho e de entusiasmo, mas só quem lida com eles sabe os problemas e o desgaste. Eu fotografei-os e é meu dever entusiasmá-los pela vida, mas a pressão do lúdico e do divertimento continuado é avassaladora.
Assim, na memória de uma exposição, refaço a ideia que tenho deles e entusiasmo-me também, mais uma vez. A transportar, com a leveza possível!


Agora a minha mulher e o casal Oliveira, o Aurélio e a Amélia. A fotografia já vem do Outono, mas ainda colhe as graças todas. O Aurélio, à esquerda, a Amélia à direita, a minha menina ao centro, naquela disposição que é própria das festas e dos encontros entre muitos. As amizades já vêm de longe e para lá hão-de continuar. Deles os três terei a dizer mais que bem. A transportar, ela por ser de mim senhora e eles por serem de nós amigos generosos e acolhedores. Do Aurélio virão os trabalhos todos que traz acumulados e que, agora aposentado, sempre julga ter tempo para concretizar. Ando com ele agarrado a Vila Verde, em jornadas musicais ou similares.

A transportar também esta Casa de Transmontanos a que me encontro ligado desde 1986 e da qual sou vice-presidente. A fotografia foi tirada na Ceia de Natal e presta-se a dar uma ideia de quanto precisamos todos para mais actividades e melhores recheios de mesa. A frugalidade é sempre boa conselheira e o tempo gere a despensa. Assim haja vantagem nos recontos dos encontros, que as coisas passam por embadas e por leivas. Lavrar nunca fez mal à terra, nem para pousios de lenha.
A próxima actividade é já dia 30 de Janeiro, sábado à noite, com jantar, para apresentação do livro de Bento da Cruz A Fárria, uma narrativa sobre as minas da Borralha e com o volfrâmio a lembrar guerras, jogatinas de casino, traições de alcova e políticas de avestruz.


A transportar, esta presença de Malaca. A fotografia lembra a passagem de Noel Félix por Braga, na sua ansiosíssima viagem a Portugal; foi tirada na minha escola Francisco Sanches, na mediateca, após a gravação do programa para a Rádio. Está o Noel, eu, o Prata, a Luísa Timóteo e a Floris Candeias, elas dirigentes da Associação Coração de Malaca, a entidade responsável pela minha deslocação ao Bairro Português de Malaca no ano passado, em Setembro. Tudo quanto o futuro trouxer de trabalho ou simples colaboração terá a minha receptividade, até e mais pelas cantigas de Noel, pela língua portuguesa e por aquela vivência de pátria ou nação ou povo que só lá se encontra explicada de raiz.



segunda-feira, janeiro 04, 2010

Estamos em 2010


Estamos em 2010. Se for um ano difícil, oxalá tenhamos a clarividência de saber reagir e superar as dificuldades; se for um ano de facilidades, oxalá saibamos conter-nos e melhorar o nosso bom senso. Não sou oracular, mas acho que esta forma de acautelamento dá para tudo. O mais será de nossa vontade e de nossas capacidades. Diziam os meus treinadores de ténis, todos o mesmo, ou seja isto, que o treino deve ser intenso para desencadear automatismos de resposta em situações esperadas e não esperadas. Ora destes automatismos de resposta não saberei dizer de quais precisaremos, mas tenho para mim que um dos treinos que pode levar a eles é o do estudo e o da boa leitura dos sinais que vamos recebendo.

Num dos últimos posts deixei no ar a promessa de falar das minhas catequistas e agora até vem a matéria a propósito. Uma ensinou-me de cor a doutrina, pela motivação dos recitativos e pelo seu treino em voz alta, cadenciada e coral. Toda a doutrina na ponta da língua, pouco ou nada entendida, que alguma também não se ajustava à idade, era assim que se exigia e se fazia. Outra catequista ensinou-me a compreender a bíblia, ilustrando as situações com exemplos, fazendo de conta em nós e nos outros, projectando para nós e para outros. A D. Margarida Lencastre era um encanto de senhora, jovem lindíssima, educadíssima, com uma voz toda de ternura e de persuasão. Não sei que dizer dela que não seja superlativo, nem sei resguardar dela outro retrato que não seja o da mulher completa, senhora, deusa, fada, musa inspiradora. Pois é, muita gente se há-de perguntar como foi possível que numa empresa mineira se pudesse encontrar tanta beleza e tanta pureza de sentimentos e de acções numa só mulher, mas eu tive-a na minha infância, foi o sol dos meus dias e mantém-se em mim com toda a aura de encantamento. Com os métodos dela contrastava seu marido, de quem temíamos ainda ele viesse longe, que nos incutia respeito e paralisia de membros caso ralhasse ou nos chamasse para perguntar o que quer que fosse e às vezes era só para saber onde estava meu pai. O leitor até poderá confirmar o que digo num livro recente que D. Sebastião de Lancastre escreveu (agora escrito com «a» pois toda a minha vida julguei que fosse com «e» e até o julgava herdeiro dos nossos reis), livro esse com o título Histórias de uma vida, SSL - Marketing Relacional, Lisboa, 2008.

Nesse livro das suas memórias, D. Sebastião (e D. porque de facto diz que tem direito a usá-lo na forma de tratamento) diz que os melhores alunos que passaram por sua esposa, nas Minas de Jales, aderiram depois do 25 de Abril ao MRPP, movimento da extrema-esquerda que depois se fez partido e que ainda resiste no espectro partidário português. Pois sim, foi verdade com alguns e eu fui um desses e se houver de procurar coincidências entre ter militado nesse movimento ou partido e ter sido aluno em catequese de D. Margarida de Lencastre eu só encontro como traço comum um ideal de perfeição e de beleza, por incrível que isso possa parecer ao mais pintado leitor. Sim, a gente adere por vezes a teorias de radicalidade extrema à procura de um ideal, à procura de um travejamento sem mácula a partir do qual se possa encontrar um rumo. Ora em matéria de comunismo, nesse tempo o ideal era rejeitar os revisionismos em que andava o partido comunista português e procurar o ideal de pureza perdido. A explicação não convence, eu bem sei, nem preciso que mo digam porque eu próprio o verifiquei, mas a haver alguma só pode ser deste teor.

A senhora D. Margarida de Lencastre ainda é viva e ao longo dos seus anos esteve envolvida com igual fulgor em projectos de História e de Património. A ela fiquei eu a dever uma pedagogia da catequese, uma pedagogia da palavra que me maravilhou e da qual guardo as mais vivas percepções de utilidade pela vida fora. Estou a vê-la à porta de sua casa, onde lhe fui levar um presépio dentro de um castelo de cartão com uma manjedoira feita pelo Lucas, meu colega e amigo de infância, que era um primor de carpintaria. Mas desta manjedoira e deste amigo falarei um dia.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Auto de Natal - Tradição de Cervães - Vila Verde



No dia 25 de Dezembro, às 7.00 horas da manhã, em Cervães, no Mosteiro do Bom Despacho, celebra-se a missa do galo, com representação do auto de nascimento do Menino Jesus. A representação acontece no fim da missa e desenvolve-se num aparato cénico entre o altar-mor e uma cabana montada no lado direito, sensivelmente a meio da nave central da igreja. As luzes apagam-se, a neve começa a cair do alto, efeito sempre surpreendente para quem assiste pela primeira vez, e uma cortina abre suavemente, em cima, no altar: é o anjo anunciador que traz a boa nova. Depois entre o altar e a cabana há uns fios por onde vai deslizar um berço com o Menino até aos braços de sua mãe e de José. Quando Maria recebe o Menino repicam os sinos e cantam-se uns versos tradicionais onde pontua, no coro, um locução conjuncional concessiva de vetusta idade e de efeito sintáctico transformador: indas que Ele é pequenino, em todo o o mundo governa! As vozes do alto vão ao limite e a polifonia popular é um acontecimento. vale a pena ir, assistir, ouvir, cantar e beijar o Menino numa comunidade assim.

domingo, dezembro 27, 2009

Depois do Natal


O dia seguinte ao do Natal era dia de regresso à normalidade da vida, pois que o dia anterior, o 25, esse fora para mostrar as novidades, fossem presentes de Natal na forma de guloseimas, fossem na forma de calçado ou roupa ou outros bens, como relógio, cinto, suspensórios, brincos, pulseiras, fios ou anéis, ou na de jogos, livros ou outros objectos como piões e jogadores para a colecção de caderneta. Regresso à infância e vejo-me a pôr com meus irmãos uma bota bem aberta junto do presépio, na noite de consoada, já comida a ceia e já feita a festa. Na madrugada seguinte haveríamos de ver o que o Pai Natal pusera e iríamos para a cama, eu e meu irmão, fazer as contas, que nossas irmãs faziam-nas numa delas. Quando éramos quatro, depois, cinco, seis e sete ainda me lembro deste costume, depois aos oito e nove já não o vivi do mesmo modo, pois o sapatinho passou ao recheio invariável: umas meias e um lenço da mão, recheio que ainda hoje se mantém, que faço mesmo questão que não mude enquanto meus pais puderem e tiverem a vontade de nos encher o sapatinho. Eu próprio dou de conselho este recheio a amigos quando mo pedem, é útil, é prático e tem o condão de avivar a memória sempre que a gente se assoa ou se calça, coisa que é frequente e por isso mesmo assegura aos progenitores a nossa eterna gratidão e memória. Durante muitos anos e ainda hoje rimos com as prendas guloseimas, na nossa primeira infância rebuçados de meio tostão, confeitos coloridos, chocolates pequeninos, cigarros de chocolate, tabletes fininhas e pequenas, tudo coisas que víamos depois na loja do senhor Manuel de Vila Pouca, ou no Bar do Sporting Clube das Minas de Jales, ou na loja do senhor Joãozinho, enfim, naqueles lugares onde íamos abastecer a casa de qualquer precisão ou procurar o nosso pai quando ele se atrasava a chegar a casa para jantar, sobretudo ao Domingo, como era o caso da ida ao Clube, lugar onde havia televisão, bailes, jogos de cartas e de matraquilhos e de pingue-pongue e onde se bebia. Meu pai era quase sempre dirigente do Clube, em qual dos órgãos não sei agora precisar, mas soube-o dirigente e mandador durante muitos anos, bichinho que depois também tive.


No Clube das Minas de Jales, um dos primeiros Centros de Tempos Livres criado pela empresa e depois integrado na FNAT e de pois no Inatel, havia uma biblioteca donde meu pai me trazia histórias desdobráveis, e onde logo eu comecei a ir buscar livros mal aprendi a ler. Eu achava aquela biblioteca fantástica, onde os livros estavam misturados com as taças e com as fotografias das equipas do Clube, os jogadores da minha terra, vestidos à Sporting, listas verdes e brancas na horizontal. Os livros eram apontados num livro com data de saída e de entrega. Ali iam outros rapazes, um deles, o Macedo, ávido leitor de policiais, uma colecção enorme que ele devorou de fio a pavio. Outros livros, como histórias aos quadradinhos tinha-os o Jorge Rua, que lhe pedíamos emprestados a troco de qualquer guloseima ou por amizade. A leitura do almanaque das missões, que minha mãe vendia por ser propagandista da Acção Missionária recebendo para isso, ali por Outubro ou Novembro, uma carrada de calendários, agendas e almanaques para vender, era uma das minhas favoritas, mais a cruzada, revistinha de poucas páginas que também aparecia por minha casa e onde eu lia histórias de heroísmo e de resistência ao mal e aos maus. A bíblia ilustrada foi outra das leituras que mais apreciei em pequeno, mas essa motivação já foi da responsabilidade da minha catequista de bíblia, que não da catequista de doutrina. Eu explico: nas Minas de Jales tive, antes de fazer a primeira comunhão e a solene, tive duas catequistas, uma na capela para me ensinar a decorar a doutrina e outra numa das casas da empresa dona das Minas onde D. Margarida de Lencastre, a esposa do engenheiro patrão residente, de seu nome D. Sebastião de Lencastre, nos explicava a bíblia de uma forma até hoje inesquecível.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

A neve e as couves do Natal



Saí de Braga às 8.25, depois de comprar o DN no quiosque do meu prédio. No alto da Lameira apareceram os primeiros sinais da neve, mas passei bem até à portagem do Arco de Baúlhe onde a polícia trancava a via para Ribeira de Pena e obrigava toda a gente a meter para a portagem. Armado em conhecedor do terreno disse para mim que iria pela estrada antiga e assim fiz, passei o Arco, maldisse do estado em que a estrada se encontrava, nuns lados água em poça larga, noutros a berma caída até ao meio; em Daivões já a neve estava carregada, uns seis quilómetros acima não se passava, toca a dar a volta e a vir para trás. Pensei que era tempo ocupado e regressei à portagem, tudo na mesma, uns parados na hora, outros ali há três horas; fiz companhia a uns falantes e curiosos. Apareceu o Bertinho directo ao assunto, que o mariconço nem limpa-estradas tinha e sonhava com altas velocidades, raio de país, raio de governo, raio disto e daquilo e era meio-dia, ordem para seguir.


Depois da portagem de Ribeira de Pena a neve impunha alguns cuidados, a descida para Vila Pouca redobrava-os, segui para Vila Real que me pareceu a estrada mais limpa, fui à volta como se lá diz, por Mouçós, pelos carrujos ou Senhor dos Aflitos, pela Barrela, até Raiz do Monte, casa dos meus pais. Deixei o carro na estrada já virado para sair e entrei. Meu pai estava ansiosíssimo à espera de minha irmã que viria do Algarve e afligia-se com o tempo. De mim, sabia que ia pelas couves e logo que as tivesse abalaria. Almocei breve que meu pai já almoçara e minha mãe estava a descansar. Calcei as galochas e fui-me às couves, lá para o fundo do terreno, com o conselho de cortar as mais velhas. Todo o terreno estava alagado em neve e água. Desenrasquei-me e de três carradas trouxe couves para meu pai e para mim. Meu pai disse que foram plantadas tarde e que se a neve as amaciava também as estragava, mas que bem estavam para o tempo que que foi o de crescerem.

A espera ainda deu para tirar as fotografias. Minha mãe sente tudo e dá-se conta, como diz a Hermínia, nossa dedicada empregada. Meu pai tem o desassossego. Este Natal vai ser ali na casa deles, a Zeza assumiu fazê-lo. Meu pai tem tudo preparado. Minha mãe assiste em silêncio a tudo e pouco diz. Mais pela tardinha vai chegar minha irmã Bibita, de Lisboa, com ordem para ninguém se afligir que em Vila Pouca arranjará taxi. Meu pai sabe da neve e dos cuidados, tudo estava a pensar para arranjar o transporte à rapariga. Meu pai não gosta de ser dispensado de coisa alguma. Minha irmã Zeza chegou com a família toda pelas três da tarde, eu tinha ido ao café desejar as boas festas a todos. Cheguei e cumprimentei-os. Meus três sobrinhos estão como árvores, altos e imponentes, bem parecidos. Tudo lhes corre bem. Meu cunhado tem um braço ao peito, mazela de outra neve. Os sogros de minha irmã estão bons.
Pôs-se a mesa e começaram a almoçar. Aproveitei para as despedidas e regressei, pelo mesmo lado de curvas e de paisagem. Nevoeiro cerrado em alguns troços, estrada razoavelmente limpa e sem neve depois do Arco. Eu bem sei que como as couves mais caras de todas as festas e bem me custa que uma folha sequer se desaproveite.

domingo, dezembro 13, 2009

Cecília de Melo - amiga para sempre!




















Cecília!
Rima o teu nome com família
E foste nossa mãe e nossa irmã,
Caminhaste a nosso lado
E sustentavas a alegria da manhã.
O teu coração preocupado
Era uma força de água pura
E o teu rosto, as tuas mãos, a tua alma,
Um alento de pressa com a calma
Da ternura.
Ficaremos ao pé de ti
Para a saudade nos lembrar
As linhas desta vida dura e bela,
Que o Senhor chamou-te a Si
Para te ouvir cantar
E Lhe bordares no Céu mais uma estrela.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Ceias de Natal e outras reuniões

Sábado, dia 12, participo na Ceia da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Braga, embora seja organizador da mesma por força de pertencer à Direcção actual desta Pessoa de Utilidade Pública. Lembrei-me deste facto comezinho, não para atrair ainda associados à mesma ceia, nem para forçar a sua visibilidade pública, mas para introduzir a reflexão sobre a minha participação em associações e em organismos ou instituições exteriores à escola.

Hoje em dia é comum ouvirmos professores dizerem que já quase não têm tempo para nada, que agora passam mais tempo na escola, ao que logo outros aproveitam para lembrar a senhora ministra da educação anterior por ter gizado uma política de interiorização dos professores entre as paredes escolares. Serve este desabafo para recordar tempos passados em que os professores eram muito vistos nos lugares públicos por terem poucas aulas para dar e por não terem nada que fazer nas escolas. Vou passar esta conversa adiante porque penso que já ficou claro que agora também passo mais tempo na escola e deixei de ter tempo para outras coisas.

Eu estou metido em três associações, na Associação Cultural e Festiva «Os Sinos da Sé» ou Grupo Folclórico de Professores, a que pertenço desde 1979; pertenço também à casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Braga de que sou sócio fundador em 1986 e já há uns anos que faço parte da Direcção da mesma na qualidade de vice-presidente; pertenço ao Clube de Ténis de Braga, desde os anos 80 e actualmente sou secretário da Mesa da Assembleia-geral. O que há de comum nestas três associações é que pago quota em todas. Pertenço ainda à Associação Nacional dos Professores de Português e à Casa do Professor, pagando também as respectivas quotas.

A vida associativa faz parte da minha natureza, sempre andei envolvido em trabalhos ou iniciativas pós-laborais, porque assim vi ser meu pai nas Minas de Jales e assim fui motivado a ser mais para além de mim mesmo, ou seja, sempre a ter uma ocupação para além da fundamental. Isto de falar em fundamental tem apenas sentido por ser essa a maneira de referir a ocupação que garante o vencimento mensal.

Já me observaram que a minha ligação às duas primeiras associações, o grupo de folclore e a casa transmontana são contraditórias, mas não vejo essa matéria desse modo: o interesse pelas práticas culturais, folclóricas, minhotas e transmontanas é da mesma natureza, as minhotas vivo-as como parte do meu enraizamento nesta região e as transmontanas vivo-as como parte da minha naturalidade de educação.

À parte então a minha ligação a associações, estou ainda ligado a outras instituições ou associações por laços de amizade e de cooperação, como é o caso da minha ligação à Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e como foi até esta semana o caso da minha ligação ao Conselho Municipal de Educação de Braga. Estou ou penso que estou ainda ligado ao Conselho Cultural do Teatro Circo mas já não poderei dizer até que ponto essa ligação se mantém ou manterá. Da minha ligação ao CME de Braga, ela resultou de concurso público entre pares, em representação dos professores do 2º ciclo do ensino básico. Foram dois mandatos, digamos assim, dois períodos, quase oito anos.

Faço desta minha ligação a associações e a instituições um balanço crítico com pontos fortes e com pontos fracos, como hoje se diz sempre que se fala em avaliação, como se essa fixação descritiva tivesse todas as vantagens. Pontos fortes foram os desempenhos, as acções concretizadas, as intervenções referidas em actas, as provas materiais da minha passagem pelos «lugares de acção», ainda que algumas dessas acções tivessem sido cumpridas com a consciência das forças limitadas e das condições e recursos existentes. Como pontos fracos, refiro que ainda há muita inoperância e muita inércia de procedimentos. Somos nós e as nossas circunstâncias, muito bem, mas somos nós que fazemos algumas circunstâncias com que depois nos desculpamos.

Também aqui não fica exaurida a minha participação cívica porque para além de ser professor e por ser o professor que pretendo ser ainda me meto em mais sarilhos da animação cultural, com projectos aqui e acolá, uns ligados à fotografia, outros ligados à história local, outros ligados à música e à dança popular.

Dia 12 de Dezembro logo vou cear as batatas e o bacalhau à Casa de Trás-os-Montes, casa, átrio ou varanda onde me vejo envelhecer rodeado de espelhos, o que me dá alguma tranquilidade de espírito.