Sábado, Novembro 14, 2009
Ministra da Educação: primeira reacção
Ouvi-a hoje na televisão, de olhar instável e de aspecto alheio ao status de ministra e fixei-me nesta impressão de ter ouvido literatura, enunciado preenchedor de intervalos, texto ocupador de espaço, pausa narrativa para introdução de outra coisa, mas tudo muito generalista e disfuncional na presente conjuntura. Apetece deixar o livro para mais tarde. Enganei-me?
Comichões e tratamentos de pele
O diagnóstico é de eczema numular e numular quer dizer em forma de moeda, arredondado, portanto, com grande comichão e vontade de coçar até ao limite de provocar ferida. Apareceu nas pernas, nos braços e na barriga, provavelmente com origem subterrânea na camada profunda e inconsciente, a antecipar outra qualquer emergência futura, provavelmente com origem etiológica apoiada em historiais de família, provavelmente devido à frequência de banhos e de idas a piscina, provavelmente por qualquer outra causa, pele seca, frequência de alimento ou de habitat estranho. O certo é que um homem coça-se, sente-se, vai ao médico e começa o circuito da experimentação de pomadas e unguentos, começa a rotina das análises e dos despistes de alergias, começa a frequência de conversas. E um homem coça-se, em público, sem se dar conta, de dia e à noite como se a mão lhe pudesse ser todo o alívio e as unhas um auxiliar oportunista. Não se pega nem é contagiante, pois bem, já é alguma coisa então de muito pessoal. Pode regredir e pode emergir, pois bem, será então um vizinho muito próximo a considerar umas vezes longe outras vezes quase em cima. Será de foro neurológico, do domínio do stress profissional ou lúdico, do domínio de nervos em desafio. A ser deste tipo, um homem mede os passos e de facto encontra razões que lhe podem aumentar a esfregação: desde as histórias da escola às histórias da política global, desde as pessoas muito próximas às mais afastadas, desde os casos ganhos aos perdidos, desde as angústias às aflições com primeiros e segundos e terceiros, desde os entretenimentos aqui e ali e acolá, como se toda a pressa fosse toda a necessidade. Será da idade um caracterizador seguro. Seja, transporta-se então como se fora filho e arca-se com todo o peso que tem. A ver e a seguir com relato se for caso.
O gatinho da imagem encontrei-o em Malaca, é o chamado gato persa, que se fez para a fotografia, um dos negócios de Edward, homem de sete ofícios e animador por excelência.
O gatinho da imagem encontrei-o em Malaca, é o chamado gato persa, que se fez para a fotografia, um dos negócios de Edward, homem de sete ofícios e animador por excelência.
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eczema numular
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
PROJECTO MALACA XVII: NOEL FELIX EM PORTUGAL - PARABÉNS!
Para me regozijar com a vinda de Noel Felix a Portugal escrevi esta estrofe, nela projectando o sentido das conversas que tive com ele.
Faz boa viagem, companheiro,
Tenho saudades de te ver aqui:
(Fotografia da Cátia com Noel Felix na Capela, espaço que se considerou adequado para os ensaios de danças com os grupos do Bairro Português de Malaca; ali ensaiei algumas horas ao longo de muitos dias; o calor imenso, não obstante uma quantidade razoável de ventoinhas, obrigou-nos a uma resistência tenaz, mas proveitosa. )
Faz boa viagem, companheiro,
Tenho saudades de te ver aqui:
Traz os teus cantares de marinheiro,
Mais as tuas ânsias de saber
Quanto desta terra está em ti,
Foi teu embalo e te fez crescer,
Sem nunca a teres pisado por inteiro.Este homem conseguiu finalmente realizar um dos sonhos da sua vida, vir a Portugal, a terra dos seus ancestrais progenitores, a terra de que ele se sente orgulhoso, pelo menos desde 1511. Noel Feliz é um «performer», um cantor local, um criador de poéticas e de melodias. É um dos autores que mais trabalhou a busca de uma identidade rítmica e sonora do bairro português com os ritmos e os sons da Malásia, busca essa que se pode bem traduzir no «branio», um modo peculiar de juntar a palavra em português de Malaca, a simplicidade tonal e melódica da composição e o ritmo sincopado malaio; recorrendo a rebanas, tambores com aspecto de «alguidares»
arredondados invertidos, o tocador de harmónica introduz a melodia e depois solta-se para cantar as quadras ou estrofes. «Jinkly Nona» é talvez o especímen mais divulgado e mais identificador do branio.
(Na fotografia seguinte estou eu e Noel Felix, há mais músicos que não se vêem, a interpretar aquela melodia referida. Também toquei com ele, até aprender, claro está, o «morisko». Esta sessão de aprendizagem, entre os ensaios, decorreu no Jardim Infantil, lugar onde também ensaiava o grupo liderado pela educadora Marina e seu marido.)
Noel Felix tem uma intervenção musical no bairro português digna de nota, pois para além de intervir nos momentos festivos e nos espectáculos contratualizados com o seu grupo de dança, ele se dedica à transmissão junto dos mais novos, não só das suas melodias, mas também dos seus projectos de composição.
Creio que, neste momento, há em curso três dinâmicas fortes sob o ponto de vista da cultura musical:
1. Continuar a prática musical de melodias portuguesas, em português europeu ou em português de Malaca (as duas práticas não são incompatíveis); 2. Continuar a prática musical e coreográfica de danças portuguesas, com uma assimilação de movimentos e posturas locais; 3. Continuar a criação de melodias em português de Malaca e porventura em Inglês e em Malaio, aumentando repertório, exprimindo vivências e aspirações.
No Bairro Português, há já um rol de intérpretes e de cantores, quase todos com obra gravada; todos eles acabam por praticar as melodias uns dos outros e por lhes dar uma orientação de composição em consonância com estilos e «audições» correntes, concretamente um «sabor country» ou uma aproximação ao estilo «blues». Há um factor importante a cimentar toda a cultura musical: é o facto da tradição acumulada não ser muito extensa e estar sempre a ser retomada pelos vários intérpretes.
Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Motivação para leituras - PNL/intervenção
Amigo leitor, amiga leitora,
Senhor ou senhora,
Pai ou mãe,
Familiar,
Encarregado de educação de alguém
Que ande a estudar,
(Que agora a linguagem tem este desatino,
Precisa de indicar o masculino
E o feminino
Para ninguém se sentir excluído,
Deprimido,
Subentendido,
Esquecido)
Leia com atenção,
Este texto rimado,
Leve e bem-intencionado,
Se tiver tempo e condição
Adequada.
Leia de pé,
Sentado
Ou sentada,
Na cama, até!
Leia, leia,
E pense nesta ideia:
Por mais que viva,
Que experimente,
Que viaje,
Que fale,
Que ande à deriva,
Sofra ou vá contente,
Não terá tempo suficiente
Para tudo ver ou ensaiar,
Para tudo viver e aguentar,
Para de tudo conversar.
A menos que ganhe tempo
A ler!
Sim, pode crer,
Ler é viver,
É bom investimento
De mais saber e aprender
O que outros já fizeram
Ou deixaram por fazer,
Os lugares que existiram
Ou ficaram por crescer,
As palavras que feriram
Ou curaram sem saber,
Os sonhos que tiveram
Ou morreram ao nascer.
Ler é ganhar velocidade
Sem a pressa dos motores.
É uma questão de liberdade,
Minhas senhoras, meus senhores.
A leitura é um atalho
E quase feito sem trabalho,
É económico,
Adaptável, anatómico.
Compare com viagens e hotéis,
Compare com bebidas e comidas,
Compare com trânsito e decibéis
E conclua:
Ler, até na rua,
Quanto mais no sossego do lar
Ou de outro lugar!
Compare e diga
Quanta despesa faria
Para procurar e saber
O que só depende de ler.
Hoje um conto,
Uma história pequena,
Amanhã um relato de viagem,
Linha a linha, ponto a ponto,
Depois um poema,
Ou então um romance,
De amor ou vadiagem,
Um ensaio, um estudo…
Entretanto, descanse,
Olhe a paisagem,
A leitura não é tudo,
É quase…
Leia receitas, anedotas,
Histórias de faca e alguidar
Teatro, simples notas
De esquecer ou lembrar,
Mas sempre de ganhar.
Porque ler,
Poupa na despesa
E antecipa o ganho:
Os livros são feitos de surpresa
E até variam em tamanho.
Leia
E pense nesta ideia:
Leu?
Aprendeu
Conheceu,
Cresceu.
Valeu?
(Braga/ AEFS / 2009)
Por via da gripe A
Esta coisa da Gripe A obriga-nos a dar aulas de porta aberta, permeáveis portanto aos barulhos do exterior e fazedores de barulho para outros, com o horizonte dos corredores após a porta, ou sem eles e com a cara do professor vizinho na proximidade. Dizem que assim tem esta medida a virtude de maior circulação de ar, portanto de maior arejo e de maior impedimento da incubação do vírus. Pode ser que sim e até pode ser que este abrimento de portas traga a vantagem próxima de um professor de vozeirão bastar para dar aula a três ou quatro turmas nos arredores, evitando assim a sujeição de outros colegas, poupando recursos e amenizando perdas. Pode ser que também venha daqui outro bem que é o de os funcionários de corredor poderem usufruir de formação multidisciplinar ou na pior das hipóteses de formação de entretenimento mais aliviante que a solidão e o silêncio. Pode ser que sim, já que estas medidas são de espantamento de vírus, portanto também o hão-de ser de espantamento de humanos. Por falar na gripe A, fui ao youtube, que é agora o espaço público onde se espaventam todas as notícias e onde se experimentam todos os discursos, e o que vi deixou-me deveras circuitado, para não dizer pasmado e confuso. O rol de vídeos discursivos, com ou sem personagens, com mais ou com menos documentação de apoio, denunciando demoníacos propósitos por detrás da campanha de vacinas e prevenindo contra apocalípticas estratégias de redução da população mundial, deixou-me atónito, perplexo, esmagado. Com que então tudo não passará, e tudo é esta concepção de gripe A e de seu controle por vacinação obrigatória, tudo não passará, ao que vi e ouvi, de uma inventiva medida para reduzir a população mundial, denúncia esta que já fez cair ministros e já perturbou a relação entre estados, denúncia esta que associa toda a maquinação a uma sinistra personagem, dona de uma farmacêutica e dona de uma patente da vacina, por sinal já em tempos idos secretário de estado da defesa dos estados unidos da américa, e escrevo tudo com letra pequena, esse mesmo o tal de donald rumsfeld, o mesmo da invasão do Iraque e o mesmo de outras inventonas similares em mais países. Pelo que vi e ouvi e li, estaremos todos a ser enganados com tal ferocidade de propósitos que nem lembraria ao diabo, que bem poderia agora, por mãos de um escritor de nomeada, aproveitar a maré para disto fazer romance com solução final, invocando eu nesta insinuação o nosso nobel escritor Saramago, já denunciador de outras campanhas onde intervieram deuses sinistros e medonhos, já prenunciador de situações narrativas onde acontece tudo o que de pior a humana geração concebe para ser carrasca de si própria, como foi o caso da cegueira colectiva e o caso da morte suspensa e o caso da comercialização total da vida. Mais fiquei siderado, e imobilizado no assento, com essoutra interpretação youtubesca de que a gripe A e a sua correlativa vacina não passarão afinal de um prenúncio bíblico de fim de mundo próximo. Ao pé de alguns vídeos de mensagem aterradoramente denunciadora de propósitos ocultos, achei graça àquele vídeo que me demonstrou simplesmente que a vacina preparada para combater a gripe A tinha resultado das sementes do anis, essa flor ou planta que eu de pequenino via metida numa garrafa e era consumida logo pela manhã por mineiros que chegavam do turno da noite e assim bebiam de um trago o melhor antídoto à tosse convulsa e à flatulência intestinal, o melhor facilitador da abertura de pulmões e de canais. Afinal aquelas garrafas de anis que me habituei de pequeno a ver nos tascos da minha terra e que depois também quis ter em casa por achar encantamento à flor internada, estão agora no interior de uma vacina e visam erradicar a flatulência de um vírus porcino ou aviário que se misturou com o de nós, o de nossa criação humana. Andei lá pelo oriente e vi de facto alguma gente de máscara, sobretudo funcionários de fronteira, mas não me apercebi nunca de ninguém infectado ou afectado e no Bairro Português de Malaca então é que nem vi ninguém preocupado com semelhante horror dos horrores. O mundo é isto mesmo, uns a escrevê-lo como horror e outros a querer fazê-lo parecer pior que a literatura.
Segunda-feira, Outubro 12, 2009
Respira fundo e sobe à torre!
O pretexto dos óculos é o de ver agora esta realidade que sobrou após três actos eleitorais, os tais actos que tinham sido arrepiados pela promessa de não votar no partido do poder, em consequência da guerra aberta entre professores e ME, conflito cerimoniosamente enraivecido por circunstâncias várias. Está o saco despejado e roto de si próprio: deu no que deu, em quase nada que pode ser quase tudo: ou agora quem governa dá o golpe de asa da clarividência de estratégias, ou pega-se de novo à turra e à massa com quem o desconsidera. Acontece que um professor tem de o ser e sê-lo implica sempre uma renovação de propósitos, um acrescento de valor aos passos dados, uma declaração de amor à esperança.
Estava eu hoje a abordar o conteúdo dos pronomes pessoais, sujeito e complementos que são de muito fraseado, quando um aluno, destes que o destempêro da casa já formatou, me disse claramente «cale-se lá com isso». Estando eu tão animado comigo e com eles, com a matéria e com os exemplos, vi-me do avesso e tive a vertigem da descida. É daqui para baixo que não quero descer mais, e daqui para cima é que não vejo como subir, salvo se esquecer o incidente por conta das diatribes de um mal-ajuizado garoto de 11 anos, tão desbocado e atrevido. Outro, por exagero de atitudes, conversas pegadas e desconsideração de palavras e gestos, tive de o mandar sair da sala e ir conversar com o executivo; soube depois que tinha recolhido lixo na escola, colaborando na limpeza do recreio. Há dimensões que os óculos já não me trazem nem asseguram. Mas tudo segue para o saco das regras e para a levada da cidadania, zonas temáticas que agora enchem as escolas como areia movediça.
Feito o intervalo do caso concreto ou anedótico, volto à linha da reflexão com óculos bifocais de dimensão linerar: se houver ódios entranhados, as zangas são adiamentos de prazo, tarde ou cedo, alguém pega em armas de maior calibre e o voto não é necessáriamente a melhor catarse da discórdia, perdido que fica numa gestualidade individual, nem mole nem dura, caótica e, quando partilhada, perfeitamente agónica do optimismo. Somos assim, para evitar um deus menor seguimos o rasto de rasqueiros diabos e nem sempre somos felizes com as companhias.
Desta pequena viagem que fiz em Setembro à Malásia trouxe a ideia de um pensamento gozoso, empenhado por certo e balizado, mas colorido de circunstâncias e atento a devaneios de leitura. Vou ver até quando!
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
Projecto Malaca XVI e transição para outros
Deixo aqui duas fotografias que fui buscar ao Álbum Picasa de Manuel Vieira, por sua expressa autorização. Uma das fotos refere-se à dança do branio, com o mestre Noel Felix e sem pijamas. A outra, já próxima, traduz aquele momento dos brindes e saudações, mostra Papa Joe e o Regedor Mr. Pedro e quase eu. Os brindes são formalidade, mas também compromissos de melhor conhecimento, que é o que falta agora para eles terem o futuro que brindaram.
Já me disseram que me fez bem ir a Malaca porque voltei mais alegre e divertido, mais animado e animador. Também me disseram que vim mais gordo. Ainda falta o juízo de meus pais e logo verei em quem devo confiar tanta generosidade de comentário.
Também podia entrar aqui a escola e entra mesmo: cada plantação é a imagem do horário: duas turmas de Português no 6º ano, dois blocos de Oficina de Língua Portuguesa, um bloco de Formação Cívica, a área de estudo Acompanhdado, uma hora para apoio a alunos, outra para tutoria, duas para a Direcção de Turma, duas para o Conselho Geral - fui eleito presidente do mesmo para quatro anos - quatro horas para o Plano Nacional de Leitura, mais a responsabilidade do projecto TEIP 2, mais a responsabilidade dos novos programas de português. É este o fadário de horas que me espera e presta-se a tudo quanto uns dizem ser de pouco e outros afirmam ser de muito.
Tempos extras: a hora do conto na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, os ensaios e saídas da Associação Cultural e Festiva «Os Sinos da Sé», duas horas semanais de piscina, 3ª e 5ª das 18.00 às 19.00, mais a vice-presidência da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Braga, mais o Conselho Municipal de Educação que agora deve terminar, mais as actas do Clube de Ténis de Braga. O que parece mão cheia pode não ter nada, não é?
Isto atrás fica dito para que saibam os que lêem e depois não estranhem informalismos ou descuidos, má cara e distracção. Um homem não é de pau e este ensimesma e passa em branco muitas e muitos sem querer.
Não vamos desanimar que o tempo de festa e o tempo de amor e o tempo das flores e o tempo dos comes e bebes tudo hão-de equilibrar ou compensar. E há os amigos!
Terça-feira, Setembro 29, 2009
Projecto Malaca XV
Nas despedidas procuram-se as frases de regresso, um «até sempre» que se dê a sentir como até à próxima e esta seja já amanhã. Mas as palavras têm o sentido delas próprias e o de que podem ou não dizer, elas dão conta de tudo quanto sofrem para se exprimirem.
Aqui senti uma família ao ritmo de um projecto, como senti o projecto ao sabor da vida, sem as pressas e as angústias que normalmente gente assim colocada como nós tem tendência a dar-lhes e a exigir-lhes. Conhecedores do clima, sabem como as tempestades passam, sabem como os dias correm. Bem-hajam e que Deus lhes dê o dobro do que deles recebi, que nesta palavra dobro deixo todos os multiplicativos.
Aqui está em primeiro plano Mrs. Agnes, com a Cátia. Todos os sabores de comidas várias me deu a provar, com ela toda a orientalidade gastronómica me fez sentir bem. Aquele «spicy» é um tratado de memórias e de ensaios, mas é uma necessidade. Aquele recurso do chá chinês é uma sabedoria, o seu café foi sempre uma xícara de motivação. Ó minha mãe que tanta saudade me lembrou e ali a vi presente, que ela também assim faria a outros se pudesse!
Em primeiro plano a Cristiana Casimiro, a amiga da Filomena Veiga aqui de Braga, as duas pessoas que me congeminaram o mês de Setembro, este Setembro da Senhora da Peneda e da Senhora dos Remédios a que não fui ou que lá vivi. Todas as romarias me foram úteis, António Castanheira, outra presença diária nas minhas idas e vindas no Bairro Português. Sempre tiveram alguma lição as nossas caminhadas, António, só espero mesmo que sim.
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
Projecto Malaca XIV - Fotografias
São imagens do convívio de quinta-feira à noite, dia 24 de Setembro, uma festa que Mr. Banerji e Edward Kennedy, membros do painel do Regedor, acharam por bem fazer nos moldes mais informais e relacionais; ocorreu no espaço frontal à casa do Edward, ali pertinho do Índico, pertinho do jetty, cais que entra pelo mar dentro e onde se reúne a juventude durante a noite: ouvia-os do meu quarto, também ali na casa da Gene, a viúva de Gerardi Fernandis, um músico e um estudioso Luso-malaio. Esteve presente o regedor, Mr. Pedro Gomes, estiveram presentes quase todos os dançadores dos grupos, faltaram alguns pequenos do grupo de George Overee, ele próprio também ausente, o tal grupo do museu que já mostrei noutro lugar.

Aqui estão o Joe Lazaroo (Papa Joe), à esquerda, e Edward, imponente. Papa joe é líder de um grupo folclórico, é uma personalidade da cultura local, um músico autor, mas também um peculiar intérprete de canções portuguesas que ganham um colorido especial na sua voz. O Edward já foi o Michael Jakson nos seus tempos de juventude, hoje é um animador cultural, um performer, um comunicador nato, fala cinco línguas fluentemente, inglês, malaio, mandarim, cantonês e tamel, resolve tudo quanto é logística de som e de música, vende artesanato, maioritariamente «country», tem iguanas emcasa, tem gatos persas, tem pavões, é um homem de sete ofícios e de uma disponibilidade contagiante.

Aqui está a Marina, educadora infantil, líder de um grupo folclórico, com o marido e filhos, ela uma animadora da juventude, ele um organizador atento e gestor de boas relações, ambos incansáveis.
Aqui está um grupo especial, em primeiro plano a esposa de Edward, a faladora de português com o sotaque mais parecido ao nosso, mas cantante e alegre; à direita a Gene, minha anfitriã, logo a seguir a Cátia e a Cristiana Casimiro, professora na Universidade de Kuala Lumpur, depois a Agnes, esposa de Mr. Banerji, a seguir ele próprio, a seguir o Gerard, líder de um grupo, depois o Kevin, um dos dançadores, depois o português Manuel Vieira que ali apareceu naquele dia, depois, vindo de trás para a frente, sentado, o Noel Felix, a Marina, o marido desta, um sobrinho de Edward. Tudo o que eu possa dizer desta gente pode soar a circunstância, mas só eu sei quanto lhes ficarei a dever de gratidão e reconforto. A familiaridade constrói-se com o tempo e assume-se nos gestos e nas palavras. Não acabei a noite sem lágrimas, claro está, mas nessa noite também o Índico se desfez em trovoada e descargas de electricidade. Eu adormeci de janela aberta, ventoinha ligada e sossego de consciência. Nesta noite não se me cobraram fantasmas nem fantasias e destas precisava eu, mas tinha longe quem eu queria.
Aqui estão o Joe Lazaroo (Papa Joe), à esquerda, e Edward, imponente. Papa joe é líder de um grupo folclórico, é uma personalidade da cultura local, um músico autor, mas também um peculiar intérprete de canções portuguesas que ganham um colorido especial na sua voz. O Edward já foi o Michael Jakson nos seus tempos de juventude, hoje é um animador cultural, um performer, um comunicador nato, fala cinco línguas fluentemente, inglês, malaio, mandarim, cantonês e tamel, resolve tudo quanto é logística de som e de música, vende artesanato, maioritariamente «country», tem iguanas emcasa, tem gatos persas, tem pavões, é um homem de sete ofícios e de uma disponibilidade contagiante.
Aqui está a Marina, educadora infantil, líder de um grupo folclórico, com o marido e filhos, ela uma animadora da juventude, ele um organizador atento e gestor de boas relações, ambos incansáveis.
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