
2. As questões da escola: a leitura de jornais e a leitura de blogues fazem a mistura: entre as agências e os indivíduos corre um cheiro de sangue, que aumenta nas conversas. Pode ser excesso, pode ser estupor, pode ser catarse. Mas é qualquer coisa de obsessivo e obcecado. Mergulho no mesmo: fúria e ataque, arrepêlo e contrariedade. Ainda não vomitei lume. Falta pouco.
3. A tristeza de não ter melhores notícias de quem cuido como meus.
4. A animação das histórias na biblioteca Lúcio Craveiro da Silva - um rasgo de sol, pela curiosidade dos miúdos.
5. Alguns trabalhos em preparação e outros pelo caminho: novas gravações do meu grupo «Os Sinos da Sé» sem data ainda marcada, uma missa «folclórica e popular», um livro com o Miguel Louro sobre o mar da Póvoa, um texto para umas fotografias sobre o Tearto Circo, uma colaboração num livro de Maria da Conceição Pacheco, uma pesquisa sobre outras músicas dentro do folclore habitual. Os dias enchem-se de palavras.
6. A última crónica para a rádio FS: Há dois estados emocionais que andam arredados da escola há um ror de tempo e com cuja existência já duvido que me volte a encontrar em igual ou parecido estado de satisfação: um é o riso, outro a ilusão. Na escola não se ri. Não há humor. Não há paródia. Não há uma exteriorização daqueles estados de gozo interior ou satisfação que provocam a hilariedade, que contagiam o riso ou que diluem o humor. O riso anda agora fedorento, é esquizóide em relação às suas fontes e aos seus propósitos, distorce e retorce, mas sem fazer um gargalhar de alma. É crítico por acinte e malvadez, é bizarro por método e objecto, é parvo e forçado por natureza. Perdeu em surpresa o que ganhou em previsibilidade, tempo certo e custo baixo. Já não me rio inspiradamente com os colegas nem com os alunos e uns e outros me fizeram muito rir e gostar de rir. Ou fui eu que fiquei gato fedorento a querer intelectualizar a piada e o motivo, ou foi o riso que me perdeu a vez. Ando longe dele e mais é dele que precisava agora para encher a alma. Não deveria eu rir-me com o que se passa e com quem passa? Oh, se devia, mas não vou lá. Sei lá eu porquê! Parece não haver nada a fazer-me cócegas em partes sensíveis, ou então já não andarei com sensibilidade em partes que a guardavam e que agora me terão traído. As minhas células estaminais do riso perderam a validade, foi isso. E perderam-na porque também se foi a ilusão que eu tinha. E não a vejo. Eu que me iludi tanto com a escola, que a cheguei a tomar por ilusão da própria vida, que a cheguei a pensar como utopia social, como aurora luminosa, como prenúncio de amanhãs canoros e destampatórios. Anda agora tudo com certezas e as dúvidas foram-se. Ganhou-se em previsão o que se perdeu
7. Francisco Sanches, depois Descartes e depois todos os que refundaram perspectivas por terem duvidado das «evidências».
8. A gente diz homem
E pode ser mulher,
A gente diz mulher
E pode ser, também,
Dentro do género
Um traço efémero,
A gente diz justiça
E pode ser vingança,
A gente diz vingança
E pode ser, perícia,
Estilo de autor
Ou jeito de favor,
A gente diz salário
E pode ser batota,
A gente diz batota
E pode ser, calvário,
Espírito da grei
Ou hábito de lei.