Pesquisar neste blogue

domingo, setembro 06, 2009

Projecto Malaca III

Aqui vai uma série de imagens obtidas na máquina de Cátia Candeias, a responsável pelo projecto do crioulo «kristang» falado em Malaca; caber-lhe-á registá-lo, «literalizá-lo e gramaticalizá-lo», se assim se podem nomear estas funções; estará em Malaca por oito meses. A Cátia é licenciada em desenvolvimento comunitário, o que justifica por si todos os trabalhos em que se quis meter. A primeira foto é sobre tecidos para blusas e para lenços, padrões que encontrei por aqui, com a dedicação exclusiva da Agnes, esposa de Michael Banerji, depois de muito tempo de procura por tudo quanto era loja de chineses, os tais que até conheciam os lenços «tapete» por chineses.
A segunda foto tem a ver com a curiosidade da pesquisa.
Efectivamente, as sociedades não andam todas à mesma velocidade, o que faz com que o que se vende aqui já não se encontra por outros lados e o que custa aqui a procurar custa bem menos a pagar.
Há por aqui toda a variedade de tecidos que os grupos folclóricos portugueses compram, retalham e vestem.

A terceira, que foi tirada antes das duas primeiras é uma curiosidade fónica: a palavra que o leitor pronuncia, como dizendo aquilo que não parece ser quer dizer independência e a Rua (Jalan) é dedicada à Independência da Malaca. Eu e Mr. Banerji estamos maliciosamente coniventes como se pode deduzir. Mr. Banerji é um verdadeiro líder da comunidade, um autêntico e genuíno suporte humano do projecto em que estamos envolvidos, eu e a Cátia, aquela menina sorridente da última foto, tirada sob a abóbada da «Famosa», fortaleza que Afonso de Albuquerque mandou construir, que os holandeses destruíram para apagar todos os elementos decorativos dos portugueses e que os ingleses quiseram fazer desaparecer do mapa de uma vez por todas. Restou isto e pouco mais, um mínimo que é o máximo para turistas e que representa tudo quanto os povos hoje pensam que sabem sobre patrimónios conquistados, transformados, herdados e assumidos.
Malaca é uma cidade património da Unesco e aqui, correndo ruas e edificados, percebe-se bem que seja e que por isso mesmo dê trabalho a todos.
A jovialidade é um sentimento que se tem, mas é também uma dimensão que se procura.
Estava connosco neste dia quente e húmido de passeio uma outra jovem, a Maria Liew, funcionária do nosso Comércio externo em Malaca.
Mr. Banerji sabe os antos à casa e o Cendol (chendol) apagou-nos a sede: uma bebida parecida com uma sopa gelada, constituída por água, açúcar queimado de Malaca, farinha de arroz transformada em canudinhos verdes como massa, feijões vermelhos e muito gelo, de proveniência mix entre a China e a Malásia, chamada peranakan: mata a sede e deixa as conversas com melhores disposições de sentido.

5 comentários:

Anónimo disse...

Olá Zé:
É bom saber que, mesmo de tão longe, continuas com esse dinamismo que tanto te caracteriza.Pelos vistos, a realidade que encontraste não corresponde àquilo que te foi narrado, mas, pelas tuas palavras, estás inebriado.
Que a viagem continue a encher-te de surpresas. Já sabemos, também , que dessa tua viagem vamos ter que aprender uma ou duas cantiguitas

António disse...

Vejo pela actividade que estás bem e bem instalado. Os tecidos "jacquard" tem muito bom aspecto.

António disse...

Pela actividade vejo que estás bem e já integrado no meio.

Anónimo disse...

Bom dia Zé
Tens os olhos regalados, certamente, e as mãos sensíveis à macieza das sedas e ao toque das chitas e das popelines...que eu diria da nossa meninice.Olhei essa mostra e revi os meus pijamas , os bibes e as blusinhas que as mãos sábias e dedicadas da minha mãe tão bem talhavam e me alindavam.
É bom saber que o mundo, ao fim e ao cabo,é pequnino e anda apenas a velocidades diferentes,como dizes.
Continua a encher os olhos , a cabeça e o coração para depois bem nos contares.Boa e plena estadia.
Abraço amigo
Gracinda

André disse...

Bem... que espectáculo!!

Espero que esteja tudo a correr bem :D