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domingo, janeiro 21, 2007

S. Sebastião


(2 fotos tiradas pelo prof. Rogério Borralheiro, no dia 20 de Janeiro, em Cerdedo, freguesia do concelho de Boticas, na cerimónia festiva de S. Sebastião. Na primeira: o portador do santo, o portador da caldeira da água benta, o presidente da Câmara de Boticas Dr. Fernando Campos, o Dr. Nunes Liberato da CasaCivil da Presidência da República e sua esposa, o sr. Padre Fernando Guerra; a espreitar vê-se a minha pessoa e é ainda visível o sr. presidente da Junta de Freguesia. Na segunda foto: estou eu a entrevistar o sr. Padre Fernando Guerra sobre o conflito que opõe alguns habitantes de Couto Dornelas à Igreja, freguesia vizinha onde também se celebra o S. Sebastião, conflito este que se desenvolveu para o foro judicial e que ainda não teve desfecho).
Que fomos fazer a Cerdedo neste dia 20 de Janeiro, eu, minha esposa, o Rogério Borralheiro e sua esposa, o António Castanheira, o Carlos Couto e o Arnaldo Sanches? Ver a cerimónia festiva do S. Sebastião porque já há muitos anos que lá vamos neste dia. Este ano a cerimónia teve uma «apropriação» exterior muito singular: o Dr. Nunes Liberato descobriu um antepassado natural de Cerdedo nas suas raízes genealógicas, acto singular que desencadeou, por relações de amizade e de política municipal, o convite que lhe fez a presidência do município de Boticas para visitar esta freguesia. O facto de o convite se ter concretizado nesta ocasião festiva de singular significado para a população local ultrapassa o âmbito desta nota, a qual apenas pretende registar isto mesmo: como é que nós, que nos podemos considerar um pequeno grupo de estudo das tradições culturais e do desenvolvimento local, nos sentimos em relação aos factos e aos outros, quando somos apanhados num cruzamento de interesses e de estratégias dos sujeitos que precisam dos ritos e dos mitos para as funções da representação e da visibilidade sociais. Neste cumprimento do rito de S. Sebastião em Cerdedo pontuam os seguintes momentos: celebração da missa, procissão até à casa onde se distribui a mezinha de S. Sebastião, bênção do pão, da carne e do vinho que vão ser distribuídos ou leiloados, refeição comunitária do pão, da carne e do vinho e distribuição dos «carolos de pão» e da carne pelas pessoas presentes, dádiva de esmolas, leilão das broas de pão e das carnes de porco. Desde há dois anos, estes momentos distribuem-se entre a igreja ou capela e a sede da Junta de Freguesia, edificação que recebeu obras para os actos de cozer o pão, guardar os víveres e centralizar a refeição comunitária, porque todos os anos passados desde que nós lá vamos e muitos outros em que se inscrevem as memórias da festa, a organização do rito centralizava-se na casa do lavrador que assumia a festa, rodando esta, anualmente, de casa em casa, por princípio. A missa ocorria pelo cedo, cerca das nove horas e por volta das 11.00 horas tudo estava terminado. Este ano a missa teve marcação às 10.00 horas, aconteceu quando chegaram as «autoridades» e tudo se terá consumado já para lá das 13.00, ainda que nós já lá não estivéssemos, pois saímos às 12.30 e ainda se ia desenrolar o leilão. Vou deixar assim o texto e agora publicarei o que os meus colegas também forem escrevendo.

1 comentário:

Ana disse...

ola boa tarde. O meu nome é Ana Isabel Fonseca e trabalho no Correio da Manhã. Tem um post seu em que entrevista o padre Fernando Guerra. È este o mesmo padre de Covas do Barroso?