(Esta fotografia, tirei-a ao Parque da Ponte, em Dezembro último, após a requalificação levada a cabo pela CMB, sob a direcção do arquitecto Sérgio. Uso-a como sugestão de toda a exterioridade escolar.)
1. Temas e problemas é título da 6ª unidade didáctica do livro de Português do 6º ano. Todos os textos lidos se prestam à compreensão desta distinção entre tema e problema. Durante e após a leitura do texto «O regresso», de Ilse Losa, vimos o filme «A Lista de Schindler», matéria da próxima ficha de avaliação.
2. Li recentemente uma tomada de posição da Confap, confederação das associações de pais, sobre a escola a tempo inteiro e li recentemente também uma tomada de posição sobre a mesma matéria do professor Daniel Sampaio, em ambas tendo notado o mesmo enviesamento de ponto de vista no que toca à defesa daquela prerrogativa da escola, mas estranhando demais que o psiquiatra tivesse feito simultaneamente a apologia da escola a tempo inteiro e o ataque à escola como armazém de jovens, uma síntese contraditória que não percebi de todo. Falei de enviesamento de perspectiva no que toca à junção de argumentos para a defesa da escola a tempo inteiro, porque eles praticamente se resumem a um que é o de postular que os pais hoje não têm tempo para ocupar os filhos e então, por razões particulares de trabalho, ou separação, ou divórcio ou divisão de papéis, precisam da instituição escolar para lhes manter os filhos ocupados. O psiquiatra argumentou no seu texto que também seria preferível que os pais reclamassem junto das empresas mais tempo livre para se ocuparem dos filhos, mas não se lembrou das associações, nem das paróquias, nem dos movimentos de jovens, nem das organizações culturais e desportivas, nem de mil e uma entidades particulares e cooperativas que organizam programas para ocupação dos jovens.
3. A violência, tema recorrente, com inúmeros problemas a revelá-la e a configurá-la. Ainda tenho para mim que a abordagem mais produtiva é aquela que encara a violência como dimensão do humano, para já não dizer dimensão do divino - o tal deus violento da bíblia - e a partir daqui encara também a perspectiva de o homem se preparar para a exercer, para a controlar, para a suspender, sem se deixe enredar nos «ismos» de toda a espécie que a praticam.
4. Toda a problemática que tem estado em foco nesta história do caso do aluno de Mirandela me vem fazer notar que a escola, por ter sido sobrecarregada de funções, se tornou um espaço privilegiado da violência juvenil, o único espaço onde se descarregam as emoções, logo o único espaço de interacção conflitual. A escola em si está a entrar demais na linguagem dos jovens, a escola está em tudo e toda a gente a quer meter a fazer tudo. Faltam outros espaços para se diluírem os constrangimentos, faltam outras ocupações, porventura algumas delas, como o desporto e todas as actividades de interacção social, mais propiciadoras da libertação de energias e de destemperos humanos. A Escola a tempo inteiro está-se a pôr a jeito para ser bode expiatório, até porque, e chamo a atenção para este aspecto da questão, a escola não tem a capacidade de competir, em liberdade de expressão no espaço público, com outros meios ou sujeitos que a desafiem, a questionem ou simplesmente a queiram ouvir. É e corre o risco de ser cada vez mais um espaço de encenação.
quarta-feira, março 10, 2010
segunda-feira, março 01, 2010
domingo, fevereiro 21, 2010
Fotogenia micológica
A propósito da exposição de fotografia temática, presente no Clube de Ténis de Braga, da autoria de Guilherme Sanches, aqui trago o texto prometido, ainda a tempo, creio eu, de poder servir a conversa. A fotografia, fui buscá-la à net.
Parecemos cogumelos. Desde logo por sermos muitos e acumulados cada vez mais em numerosos e altivos casarios e estes se concentrarem em metrópoles cada vez mais extensas e ocupadoras de espaço natural. Desde logo por nos vermos olhados de cima e parecermos todos de igual porte e aspecto, mesquinhos à medida que se ergue a tomada de vistas, depois minúsculos, insignificantes, desaparecidos. Desde logo por termos na forma do cogumelo explosivo a nossa paradigmática ideia de bomba atómica. Mas também pela fragilidade de cartas de baralho com que nos abatem as tragédias naturais, os terramotos, os tsunamis, as avalanches, os deslizamentos, as enxurradas. Mas também pelos tratos a que nos damos enquanto espécie entre as espécies. Finalmente, porque os cogumelos são como eles próprios inspiradores de toda a efemeridade.
Parecemos cogumelos. Uns, luminosos e confiantes, outros, tímidos e apagados. Todos perecíveis. Todos também resistentes à ideia de perecibilidade, tudo fazendo para adiar a hora de um desaparecimento ou anulação de vida, tudo fazendo para uma continuidade de aspecto e de memória. Uns fiados no seu habitat, outros fiados em si próprios, parecemos cogumelos: variados na forma e no conteúdo, variados na ocupação dos chãos, isolados ou agrupados, identificados e contextualizados. Quem nos vir dirá de nós o que diz dos cogumelos: bonitos uns e agradáveis, feios outros e abomináveis, tudo com base em argumentos de forma, aspecto, tamanho, cheiro, localização.
Seremos levados em linha de conta pelo préstimo que tivermos, coisa que mais depressa nos levará à extinção do que à permanência: sermos requintadamente saboreados parecer-nos-á um topo de excelência, sermos repudiados como venenosos e asquerosos será o rebaixamento desprezível. Sujeitos ao tempo e às intempéries, somos ainda mais sujeitos á recolecção e completamente sujeitados á biqueirada de qualquer bota imprevidente ou maldosa.
Teremos o nosso tempo de fulgor e honra faremos a quem no-lo aumentar desmedidamente por meio de filme ou película impressionável, pintura ou esquisso, técnica de secagem ou de fixação. Seremos tomados por tudo e por todos, pelo sujeito erecto e viril, pelo sujeito humilde e frágil, pelo sujeito exibicionista e fanfarrão, pelo sujeito dependente e parasitário, pelo par homo, pelo par hetero, pelo grupo protegido, pelo grupo indefeso, pelo grupo organizado, pelo grupo tresmalhado, pela multidão composta, pela turba caótica.
Temos connosco toda a retórica das palavras e das imagens, toda a retórica dos odores, toda a retórica dos contactos. É bem certo que somos inspiradores de muito imaginário: este marialva, aquele efeminado, este nu, aquele vestido, este encolhido, aquele desbundado, este natural, aquele produzido, este rei, aquele escravo, este macho, aquele fêmea. Minúsculos e invisíveis, extensos e apreensíveis, autónomos e dependentes, somos sempre de uma fragilidade absoluta.
Classificáveis, somos estudados e apreciados, vistos pelo prisma da utilidade extrema e imprescindível, mas também denunciados como perturbadores e invasores. Temos a nossa graça e a nossa desgraça por vezes em momentos muito próximos, outras vezes demoramos todo o ciclo de vida à espera de um reparo.
Quando brilhamos na nossa singularidade, logo nos atiram aos ouvidos a utilidade imediata, ou os disparates do veneno ou o incómodo de não estarmos no lugar certo à hora certa. Quando nos juntamos, dois, alguns ou muitos, milhares mesmo, logo nos trocam pelos encantos da vizinhança, ou do hospedeiro, ou do lugar, ou da nesga de território em que nos sustentamos. Vale-nos quem nos ama, quem nos estuda a vida, quem nos guarda a memória. Vale-nos quem nos olha e nos deixa estar, quem nos favorece todo o tempo do mundo.
Parecemos cogumelos. Desde logo por sermos muitos e acumulados cada vez mais em numerosos e altivos casarios e estes se concentrarem em metrópoles cada vez mais extensas e ocupadoras de espaço natural. Desde logo por nos vermos olhados de cima e parecermos todos de igual porte e aspecto, mesquinhos à medida que se ergue a tomada de vistas, depois minúsculos, insignificantes, desaparecidos. Desde logo por termos na forma do cogumelo explosivo a nossa paradigmática ideia de bomba atómica. Mas também pela fragilidade de cartas de baralho com que nos abatem as tragédias naturais, os terramotos, os tsunamis, as avalanches, os deslizamentos, as enxurradas. Mas também pelos tratos a que nos damos enquanto espécie entre as espécies. Finalmente, porque os cogumelos são como eles próprios inspiradores de toda a efemeridade.
Parecemos cogumelos. Uns, luminosos e confiantes, outros, tímidos e apagados. Todos perecíveis. Todos também resistentes à ideia de perecibilidade, tudo fazendo para adiar a hora de um desaparecimento ou anulação de vida, tudo fazendo para uma continuidade de aspecto e de memória. Uns fiados no seu habitat, outros fiados em si próprios, parecemos cogumelos: variados na forma e no conteúdo, variados na ocupação dos chãos, isolados ou agrupados, identificados e contextualizados. Quem nos vir dirá de nós o que diz dos cogumelos: bonitos uns e agradáveis, feios outros e abomináveis, tudo com base em argumentos de forma, aspecto, tamanho, cheiro, localização.
Seremos levados em linha de conta pelo préstimo que tivermos, coisa que mais depressa nos levará à extinção do que à permanência: sermos requintadamente saboreados parecer-nos-á um topo de excelência, sermos repudiados como venenosos e asquerosos será o rebaixamento desprezível. Sujeitos ao tempo e às intempéries, somos ainda mais sujeitos á recolecção e completamente sujeitados á biqueirada de qualquer bota imprevidente ou maldosa.
Teremos o nosso tempo de fulgor e honra faremos a quem no-lo aumentar desmedidamente por meio de filme ou película impressionável, pintura ou esquisso, técnica de secagem ou de fixação. Seremos tomados por tudo e por todos, pelo sujeito erecto e viril, pelo sujeito humilde e frágil, pelo sujeito exibicionista e fanfarrão, pelo sujeito dependente e parasitário, pelo par homo, pelo par hetero, pelo grupo protegido, pelo grupo indefeso, pelo grupo organizado, pelo grupo tresmalhado, pela multidão composta, pela turba caótica.
Temos connosco toda a retórica das palavras e das imagens, toda a retórica dos odores, toda a retórica dos contactos. É bem certo que somos inspiradores de muito imaginário: este marialva, aquele efeminado, este nu, aquele vestido, este encolhido, aquele desbundado, este natural, aquele produzido, este rei, aquele escravo, este macho, aquele fêmea. Minúsculos e invisíveis, extensos e apreensíveis, autónomos e dependentes, somos sempre de uma fragilidade absoluta.
Classificáveis, somos estudados e apreciados, vistos pelo prisma da utilidade extrema e imprescindível, mas também denunciados como perturbadores e invasores. Temos a nossa graça e a nossa desgraça por vezes em momentos muito próximos, outras vezes demoramos todo o ciclo de vida à espera de um reparo.
Quando brilhamos na nossa singularidade, logo nos atiram aos ouvidos a utilidade imediata, ou os disparates do veneno ou o incómodo de não estarmos no lugar certo à hora certa. Quando nos juntamos, dois, alguns ou muitos, milhares mesmo, logo nos trocam pelos encantos da vizinhança, ou do hospedeiro, ou do lugar, ou da nesga de território em que nos sustentamos. Vale-nos quem nos ama, quem nos estuda a vida, quem nos guarda a memória. Vale-nos quem nos olha e nos deixa estar, quem nos favorece todo o tempo do mundo.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
A Fárria - novo livro de Bento da Cruz
Bento da Cruz – A Fárria, Âncora editora, 2009
Este novo livro do escritor Bento da Cruz assinala a celebração dos 50 anos de sua vida literária. Vou apresentá-lo a Chaves, na Biblioteca, no dia 12 de Fevereiro, às 18.30 horas.
Tem como tema central as minas da Borralha, ainda que o pretexto de contar a história das minas decorra da necessidade de contar a vida de uma personagem redonda e bem informada sobre as minas, Silvério Silvestre, homem muito doente e hospitalizado que chama o escritor para lhe confessar a sua vida.
A história de vida de Silvério Silvestre, o próprio nome nos remete para um sinuosidade de silvas e de agrestes condições de vivência e sobrevivência, resume o trágico mito dos amantes que se unem pela a morte na mesma sepultura, mito que sobrevivia no princípio do século numa versão nortenha, contando os amores de D. Gunezindo pela fidalga Iria. A Silvério sucederá o mesmo, pois a sua paixão por Senhorinha, a filha do Morgado, um nascimento com todos os condimentos do mito da Ponte da Misarela, será eternamente contrariada pelo pai desta, mas será decididamente assumida por ela com a decisão de mandar abrir uma sepultura com dois lugares, união que se consuma pouco antes da morte de Silvério no hospital. Associada a esta lenda, a personagem Silvério Silvestre dará conta ao narrador, que é seu ouvinte atento, da sua proximidade com a personagem mítica de Eneias, o soldado troiano que saiu de Tróia com a família e que depois se perdeu de amores por Dido e que vai estar na memória da fundação da cidade de Roma.
O fio condutor da narrativa de Silvério é a história dramática da sua vida amorosa com Senhorinha, mas só se compreenderá a sua profundidade se a envolvermos na história do minério que era explorado nas minas. Na história amorosa, a personagem Silvério desdenha continuadamente do objecto da sua paixão, que está enraizada numa vivência da infância sob o mito do bom casamento com filha de lavrador rico, narrativa que mergulha nos rituais da ponte da Misarela e daí a sua demoníaca persistência e representação; mas na história das minas ou do mineral volfrâmio e de tudo o que com ele se relaciona, a personagem assume um currículo integral de profissionalização: ele foi tudo e fez de tudo, teve acesso a todos os lugares e relacionou-se com toda a gente, foi sujeito e testemunha dos actos legais e ilegais, dos justos e injustos, foi honesto e foi vigarista, foi ganhador e perdedor.
O que acaba por se entender é uma narrativa da personagem em fim de vida que pretende fazer a catarse do complexo social que as minas da Borralha foram para si próprio, na região, no país e no mundo, complexo esse que é bem traduzido pelo conceito de «fárria» ou estilo de vida decorrente da fartura de ganhos com o volfrâmio, no contexto das duas grandes guerras mundiais que assolaram a Europa. Faz-se um retrato local para ser espelho de outro retrato nacional, o de um país em ditadura, rico em recursos, mas limitado na arte de saber tirar partido deles para o futuro. A personagem faz um currículo que vai desde a aprendizagem das técnicas de apanhista do minério, passa pela aprendizagem das tácticas do contrabando, vive intensamente as práticas de farrista e sossega finalmente na prática de chefe de escritório, demonstrando uma vontade pessoal de superação dos limites circunstanciais, como quando frequenta a educação de adultos para aumentar a sua escolarização.
O livro A Fárria mostra a personagem principal nos limites, caracteriza outras como vítimas da sorte e do azar, o Manulo, o Pacheco, a Rita, a Senhorinha. A oscilação dos farristas entre o cúmulo de ganhos, decorrentes de um estilo perigoso de vida, e o cúmulo de perdas, decorrentes da ambição desmedida, da basófia e da falta de formação, torna esta história das minas da Borralha uma fatalidade de destino, mas também um caso singular da perda crónica de oportunidades do país. Estão na narrativa as linhas da crítica sociológica e antropológica.
As minas da Borralha já fecharam, viveram todas as vicissitudes históricas da implantação da República, depois as do Estado Novo, finalmente as da revolução de Abril. Mortos os actores directos, ficarão as narrativas dos herdeiros, ficarão os documentos, ficarão os estéreis, mas ficaram também casas, caminhos, marcas que o tempo próximo não vai apagar tão cedo e antes se impõe a si próprio que lhes restitua vida e memória, uma explicação para a vontade pública de aquele espaço mineiro ser interpretado, musealizado, preservado como memória.
A escrita de Bento da Cruz gera a sedução da leitura, pelo que o leitor depressa esgotará o fôlego deste livro e depressa se dará conta que o seu autor é bem merecedor de mais vida literária. Que viva cem anos e que escreva sempre!
Este novo livro do escritor Bento da Cruz assinala a celebração dos 50 anos de sua vida literária. Vou apresentá-lo a Chaves, na Biblioteca, no dia 12 de Fevereiro, às 18.30 horas.
Tem como tema central as minas da Borralha, ainda que o pretexto de contar a história das minas decorra da necessidade de contar a vida de uma personagem redonda e bem informada sobre as minas, Silvério Silvestre, homem muito doente e hospitalizado que chama o escritor para lhe confessar a sua vida.
A história de vida de Silvério Silvestre, o próprio nome nos remete para um sinuosidade de silvas e de agrestes condições de vivência e sobrevivência, resume o trágico mito dos amantes que se unem pela a morte na mesma sepultura, mito que sobrevivia no princípio do século numa versão nortenha, contando os amores de D. Gunezindo pela fidalga Iria. A Silvério sucederá o mesmo, pois a sua paixão por Senhorinha, a filha do Morgado, um nascimento com todos os condimentos do mito da Ponte da Misarela, será eternamente contrariada pelo pai desta, mas será decididamente assumida por ela com a decisão de mandar abrir uma sepultura com dois lugares, união que se consuma pouco antes da morte de Silvério no hospital. Associada a esta lenda, a personagem Silvério Silvestre dará conta ao narrador, que é seu ouvinte atento, da sua proximidade com a personagem mítica de Eneias, o soldado troiano que saiu de Tróia com a família e que depois se perdeu de amores por Dido e que vai estar na memória da fundação da cidade de Roma.
O fio condutor da narrativa de Silvério é a história dramática da sua vida amorosa com Senhorinha, mas só se compreenderá a sua profundidade se a envolvermos na história do minério que era explorado nas minas. Na história amorosa, a personagem Silvério desdenha continuadamente do objecto da sua paixão, que está enraizada numa vivência da infância sob o mito do bom casamento com filha de lavrador rico, narrativa que mergulha nos rituais da ponte da Misarela e daí a sua demoníaca persistência e representação; mas na história das minas ou do mineral volfrâmio e de tudo o que com ele se relaciona, a personagem assume um currículo integral de profissionalização: ele foi tudo e fez de tudo, teve acesso a todos os lugares e relacionou-se com toda a gente, foi sujeito e testemunha dos actos legais e ilegais, dos justos e injustos, foi honesto e foi vigarista, foi ganhador e perdedor.
O que acaba por se entender é uma narrativa da personagem em fim de vida que pretende fazer a catarse do complexo social que as minas da Borralha foram para si próprio, na região, no país e no mundo, complexo esse que é bem traduzido pelo conceito de «fárria» ou estilo de vida decorrente da fartura de ganhos com o volfrâmio, no contexto das duas grandes guerras mundiais que assolaram a Europa. Faz-se um retrato local para ser espelho de outro retrato nacional, o de um país em ditadura, rico em recursos, mas limitado na arte de saber tirar partido deles para o futuro. A personagem faz um currículo que vai desde a aprendizagem das técnicas de apanhista do minério, passa pela aprendizagem das tácticas do contrabando, vive intensamente as práticas de farrista e sossega finalmente na prática de chefe de escritório, demonstrando uma vontade pessoal de superação dos limites circunstanciais, como quando frequenta a educação de adultos para aumentar a sua escolarização.
O livro A Fárria mostra a personagem principal nos limites, caracteriza outras como vítimas da sorte e do azar, o Manulo, o Pacheco, a Rita, a Senhorinha. A oscilação dos farristas entre o cúmulo de ganhos, decorrentes de um estilo perigoso de vida, e o cúmulo de perdas, decorrentes da ambição desmedida, da basófia e da falta de formação, torna esta história das minas da Borralha uma fatalidade de destino, mas também um caso singular da perda crónica de oportunidades do país. Estão na narrativa as linhas da crítica sociológica e antropológica.
As minas da Borralha já fecharam, viveram todas as vicissitudes históricas da implantação da República, depois as do Estado Novo, finalmente as da revolução de Abril. Mortos os actores directos, ficarão as narrativas dos herdeiros, ficarão os documentos, ficarão os estéreis, mas ficaram também casas, caminhos, marcas que o tempo próximo não vai apagar tão cedo e antes se impõe a si próprio que lhes restitua vida e memória, uma explicação para a vontade pública de aquele espaço mineiro ser interpretado, musealizado, preservado como memória.
A escrita de Bento da Cruz gera a sedução da leitura, pelo que o leitor depressa esgotará o fôlego deste livro e depressa se dará conta que o seu autor é bem merecedor de mais vida literária. Que viva cem anos e que escreva sempre!
domingo, janeiro 31, 2010
Nosso querido afilhado!
Todas as nossas memórias são de um menino, depois criança, depois jovem, alegre, enternecedor, prestável, carinhoso, responsável, bem educado.
Há quatro anos atrás, veterinário formado, soube que tinha um grave problema de saúde, prometeu a si mesmo resistir, informou-se e colaborou com os médicos a quem recorreu, sujeitou-se às operações e aos tratamentos, sofreu desmedidamente.
Seus pais, seus avós, seu irmão e sua cunhada, tudo mobilizaram para superar a situação, tudo sofreram também.
Um filho é toda a vontade de futuro. Perdê-lo é um grito, uma raiva, uma negação de quanto pensamos ser firmeza de espírito ou certeza de imortalidade, uma escuridão completa. Que olhos se podem habituar à escuridão da morte?Os do amor, esse fio de vida que o Zé Carlos manteve em si, conservou até ao sossego final.
De todos nós, ele foi primeiro e era o mais novo.
O nosso menino, o nosso afilhado está tão cerca de nós.
Ao pai, à mãe, ao irmão, aos avós, damos um aperto de alma.
Ó Zé, o teu infinito cobre-nos de inquietação. Tu és um santo!
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Feiras de fumeiro
(Fotografias enviadas por Ricardo Moura, de Montalegre)
Já passou a feira do fumeiro em Montalegre e foi de enchente.
Eu fui durante alguns anos a esta feira por via de amizades e relações amistosas com pessoas da terra e dos arredores, amizades e relações motivadas e sustentadas pelo coração de um amigo já precipitadamente falecido, o professor Rogério Borralheiro, natural de Salto, homem que foi político social-democrata, que foi vereador da Câmara, que foi presidente dos Bombeiros Voluntários de sua terra, que foi da Assembleia Municipal e da Assembleia de Freguesia, que foi animador cultural, que foi investigador da história local e regional e nacional, que foi cidadão dedicado à causa pública, que foi marido e pai extremoso e que foi um companheiro de festas, de músicas e de futebóis.
Toda a saudade dele se faz sentir mais nestas ocasiões de romaria ao seu concelho, ao seu solo pátrio. Íamos e vínhamos com toda a cumplicidade das conversas afiadas, fossem a bendizer ou a maldizer, fossem de auto reflexão ou de juízo final sobre casos e causas. As chouriças, os salpicões, a orelheira, o presunto, a vitela, a broa, as couves e o vinho, por tudo respondiam e com tudo se justificavam. Em Janeiro, o planalto barrosão era um devocionário de emoções: o S. Sebastião e a feira do fumeiro balizavam as caminhadas e os encontros, com igual virtude teologal de fundamento à vida. O amigo Rogério, conhecida que era a sua militância partidária, era homem de travessuras e de cruzamentos: parávamos com todos os partidários de esquerda e de direita, do centro ou das margens, com agnósticos e ortodoxos, com brancos, pretos e cinzentos, com todas as cores do arco-íris, jovens e velhos, elas e eles.
O consolo de andar com e de estar entre amigos é uma experiência compensadora, toda a gente o sabe e toda a gente o pratica, sempre lhe associando a mesa e a lareira, duas condições mais estáveis para toda a franqueza do humano demasiado humano. Após a morte do Borralheiro ainda não voltei à feira de Fumeiro e este ano não foi excepção, chame-se a esta ausência uma forma de luto ou uma inibição de carácter. E ao mais continuam por lá todos os nossos amigos e ao mais continuam por lá todas as condições de acolhimento e de regeneração do corpo e do espírito. Já foi a feira do fumeiro de Boticas, depois desta de Montalegre vai ser a de Chaves e depois a de Vinhais e a de Cabeceiras, todas de chão pisado por nós no passado, todas de boa memória e de feliz aceitação. Quanto se vê e faz nestes lugares é visceral a nós próprios e porventura venha desta raiz profunda no corpo a sua boa condução e sucesso.
O porco foi em toda a minha infância o retrato mais fiel do corpo e da família, o espelho animal das nossas relações de obrigação e entretenimento, o símbolo da nossa prosperidade, a balança salutar do nosso crescimento: desde a compra do bicho na feira, até ao corte de mato e estrumes para a sua corte, desde o cozimento da lavadura ao seu transporte, desde a capadura ao arganel, desde a engorda até à morte de banco com faca de matador, queimadura de palha e raspadura de pedra e água quente. Toda a visceralidade do bicho era aula de anatomia, o pai a perguntar, o matador a descrever, a mãe a transformar e a canalha sempre a estorvar, que era forma de estar em cima de tudo. O guinchar do porco na matança é esta ária de inverno que me enche o ouvido e me satisfaz com as forças telúricas e as fadas do lar. O encher das alheiras, chouriças e salpicões foi toda a simbólica dos afectos e paixões. Quando hoje assisto à condenação anómala desta barbárie doméstica sinto-me desenraizado e excluído do grande altar da natureza, altar que deu sustentação a muitos santos, ainda que abrigo também a muito destempero. E pronto, se foi à feira já o leitor me entenderá melhor.
Já passou a feira do fumeiro em Montalegre e foi de enchente.
Eu fui durante alguns anos a esta feira por via de amizades e relações amistosas com pessoas da terra e dos arredores, amizades e relações motivadas e sustentadas pelo coração de um amigo já precipitadamente falecido, o professor Rogério Borralheiro, natural de Salto, homem que foi político social-democrata, que foi vereador da Câmara, que foi presidente dos Bombeiros Voluntários de sua terra, que foi da Assembleia Municipal e da Assembleia de Freguesia, que foi animador cultural, que foi investigador da história local e regional e nacional, que foi cidadão dedicado à causa pública, que foi marido e pai extremoso e que foi um companheiro de festas, de músicas e de futebóis.
Toda a saudade dele se faz sentir mais nestas ocasiões de romaria ao seu concelho, ao seu solo pátrio. Íamos e vínhamos com toda a cumplicidade das conversas afiadas, fossem a bendizer ou a maldizer, fossem de auto reflexão ou de juízo final sobre casos e causas. As chouriças, os salpicões, a orelheira, o presunto, a vitela, a broa, as couves e o vinho, por tudo respondiam e com tudo se justificavam. Em Janeiro, o planalto barrosão era um devocionário de emoções: o S. Sebastião e a feira do fumeiro balizavam as caminhadas e os encontros, com igual virtude teologal de fundamento à vida. O amigo Rogério, conhecida que era a sua militância partidária, era homem de travessuras e de cruzamentos: parávamos com todos os partidários de esquerda e de direita, do centro ou das margens, com agnósticos e ortodoxos, com brancos, pretos e cinzentos, com todas as cores do arco-íris, jovens e velhos, elas e eles.
O consolo de andar com e de estar entre amigos é uma experiência compensadora, toda a gente o sabe e toda a gente o pratica, sempre lhe associando a mesa e a lareira, duas condições mais estáveis para toda a franqueza do humano demasiado humano. Após a morte do Borralheiro ainda não voltei à feira de Fumeiro e este ano não foi excepção, chame-se a esta ausência uma forma de luto ou uma inibição de carácter. E ao mais continuam por lá todos os nossos amigos e ao mais continuam por lá todas as condições de acolhimento e de regeneração do corpo e do espírito. Já foi a feira do fumeiro de Boticas, depois desta de Montalegre vai ser a de Chaves e depois a de Vinhais e a de Cabeceiras, todas de chão pisado por nós no passado, todas de boa memória e de feliz aceitação. Quanto se vê e faz nestes lugares é visceral a nós próprios e porventura venha desta raiz profunda no corpo a sua boa condução e sucesso.
O porco foi em toda a minha infância o retrato mais fiel do corpo e da família, o espelho animal das nossas relações de obrigação e entretenimento, o símbolo da nossa prosperidade, a balança salutar do nosso crescimento: desde a compra do bicho na feira, até ao corte de mato e estrumes para a sua corte, desde o cozimento da lavadura ao seu transporte, desde a capadura ao arganel, desde a engorda até à morte de banco com faca de matador, queimadura de palha e raspadura de pedra e água quente. Toda a visceralidade do bicho era aula de anatomia, o pai a perguntar, o matador a descrever, a mãe a transformar e a canalha sempre a estorvar, que era forma de estar em cima de tudo. O guinchar do porco na matança é esta ária de inverno que me enche o ouvido e me satisfaz com as forças telúricas e as fadas do lar. O encher das alheiras, chouriças e salpicões foi toda a simbólica dos afectos e paixões. Quando hoje assisto à condenação anómala desta barbárie doméstica sinto-me desenraizado e excluído do grande altar da natureza, altar que deu sustentação a muitos santos, ainda que abrigo também a muito destempero. E pronto, se foi à feira já o leitor me entenderá melhor.
domingo, janeiro 17, 2010
O acordo imprevisto!
É sempre possível que uma mesa posta possa ser aquela condição imprescindível para um acordo entre partes. É sempre possível, e esta mesa refere-se à apresentação à imprensa de Braga e do Minho que a Feira do Fumeiro de Montalegre fez na Casa de Trás-os-Montes, em Braga, no dia 15 deste mês. Eu não estive lá, mas aproveito a fotografia para agora falar de outras coisas.
Que dizer do recente acordo entre o Ministério da Educação e os principais sindicatos da Plataforma Sindical que estavam em luta contra o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente e contra o modelo de avaliação avançado? Quando a sensação que tenho é a de que as partes sindicais abdicaram por cansaço e deixaram cair a toalha no momento crucial do combate, pouco mais devo acrescentar. Haverá razões que a razão desconhece? Pode ser que sim, não me atrevo a especular, a menos que avance uma hipótese plausível: a crise social vai acentuar-se, vai arrastar uma crise política e em 2012 tudo estará com outra configuração. Se isto não ocorrer e o país continuar como vai, então não sei o que é que terá forçado as partes a entenderem-se. E digo isto porquê?
Ora vamos lá a ver: os sindicatos estavam contra a divisão arbitrária da carreira dos professores em professores e professores titulares, coisa que deixou de existir, caiu de facto e aí houve um ganho e um avanço, mas os sindicatos não cuidaram de negociar as consequências favoráveis e desfavoráveis que o «ser titular» gerou neste processo!
Mas os sindicatos estavam também contra o modelo de avaliação, incentivaram a luta contra ele, incentivaram a não entrega de objectivos, incentivaram a não solicitação de aulas assistidas, e acabaram por ceder: aceitaram a funcionalidade do tal simplex ou modelo reduzido de avaliação que penaliza precisamente quem não solicitou aulas assistidas e por isso nunca poderá ser avaliado neste ciclo de dois anos passados com excelente e muito bom, por mais que tenha cumprido e trabalhado em prol da escola e dos alunos e das burocracias ministeriais. Mais, os sindicatos acabaram por aceitar que a atribuição de muito bom e excelente, seja em que patamar for da carreira, requer o pedido expresso de aulas assistidas, o que é manifestamente uma reviravolta na luta dos sindicatos.
Os sindicatos estavam radicalmente contra o sistema de quotas para a progressão na carreira e argumentavam que um professor com avaliação de Bom deveria poder chegar ao topo da carreira. Então porque aceitaram mecanismos de quotas em dois momentos de progressão na carreira, no 3º e no 5º escalão? Os sindicatos contrariavam a metodologia de escolha dos avaliadores e essa parte foi-lhes de facto dada, mas a troco de uma burocracia que dificilmente vais ser sustentável nas escolas, em termos de organização e de isenção.
Para além do mais, no memorando do acordo não se fazem referências a aspectos particulares da carreira que também estavam implicados, como a defesa de outro modelo de gestão das escolas, como a clarificação definitiva de situações promíscuas quanto a estar ou não nas escolas e ter ou não ter componente lectiva, como a situação de um órgão de gestão denominado conselho geral, como a entrada na profissão de professores contratados provisoriamente e que vão acumulando anos de serviço na ocupação de vagas sempre provisórias. Houve de facto qualquer coisa que me escapou.
Eu, até por pertencer a uma organização sindical que assinou o acordo, sinto-me de facto surpreendido com a facilidade e a ligeireza de resultados, mas pronto, como se disse e dirá, há mais dias para continuar a lutar por melhor vida, se esta assim continuar a ser o que é. Na prática, serei prejudicado em termos de acesso a um escalão que, também com alguma surpresa, apareceu a coroar a carreira, o que, nos casos como o meu, acaba por ser a negação da progressão por mérito que vinha perseguindo e que fui recebendo. Não se pode ter tudo, dirão alguns. Pois, mas agora, arrumada a luta de rua nos tempos mais próximos, é que se vai ver no que isto vai dar.
Continuo a achar que o modelo de avaliação proposto é mau e agora ainda por cima fica com uma história de dois anos verdadeiramente atribulada a manchar a sua fraca qualidade; considero que o ME não fez qualquer esforço de introduzir na carreira docente uma diferenciação positiva, quer em termos de acesso a certos cargos, quer em termos de remuneração provisória durante o exercício de chefias específicas; considero que continuam a patinar aquelas argumentações simplistas que querem comparar escolas a empresas e professores a soldados, pois, nas circunstâncias actuais de exercício da profissão, no ensino básico, a lei de bases ainda determina o que somos e como somos.
Em jeito de síntese, vamos então tratar agora de cozinhar com os ingredientes que temos à mão. O futuro não é muito promissor, mas cá nos havemos de defender.
Que dizer do recente acordo entre o Ministério da Educação e os principais sindicatos da Plataforma Sindical que estavam em luta contra o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente e contra o modelo de avaliação avançado? Quando a sensação que tenho é a de que as partes sindicais abdicaram por cansaço e deixaram cair a toalha no momento crucial do combate, pouco mais devo acrescentar. Haverá razões que a razão desconhece? Pode ser que sim, não me atrevo a especular, a menos que avance uma hipótese plausível: a crise social vai acentuar-se, vai arrastar uma crise política e em 2012 tudo estará com outra configuração. Se isto não ocorrer e o país continuar como vai, então não sei o que é que terá forçado as partes a entenderem-se. E digo isto porquê?
Ora vamos lá a ver: os sindicatos estavam contra a divisão arbitrária da carreira dos professores em professores e professores titulares, coisa que deixou de existir, caiu de facto e aí houve um ganho e um avanço, mas os sindicatos não cuidaram de negociar as consequências favoráveis e desfavoráveis que o «ser titular» gerou neste processo!
Mas os sindicatos estavam também contra o modelo de avaliação, incentivaram a luta contra ele, incentivaram a não entrega de objectivos, incentivaram a não solicitação de aulas assistidas, e acabaram por ceder: aceitaram a funcionalidade do tal simplex ou modelo reduzido de avaliação que penaliza precisamente quem não solicitou aulas assistidas e por isso nunca poderá ser avaliado neste ciclo de dois anos passados com excelente e muito bom, por mais que tenha cumprido e trabalhado em prol da escola e dos alunos e das burocracias ministeriais. Mais, os sindicatos acabaram por aceitar que a atribuição de muito bom e excelente, seja em que patamar for da carreira, requer o pedido expresso de aulas assistidas, o que é manifestamente uma reviravolta na luta dos sindicatos.
Os sindicatos estavam radicalmente contra o sistema de quotas para a progressão na carreira e argumentavam que um professor com avaliação de Bom deveria poder chegar ao topo da carreira. Então porque aceitaram mecanismos de quotas em dois momentos de progressão na carreira, no 3º e no 5º escalão? Os sindicatos contrariavam a metodologia de escolha dos avaliadores e essa parte foi-lhes de facto dada, mas a troco de uma burocracia que dificilmente vais ser sustentável nas escolas, em termos de organização e de isenção.
Para além do mais, no memorando do acordo não se fazem referências a aspectos particulares da carreira que também estavam implicados, como a defesa de outro modelo de gestão das escolas, como a clarificação definitiva de situações promíscuas quanto a estar ou não nas escolas e ter ou não ter componente lectiva, como a situação de um órgão de gestão denominado conselho geral, como a entrada na profissão de professores contratados provisoriamente e que vão acumulando anos de serviço na ocupação de vagas sempre provisórias. Houve de facto qualquer coisa que me escapou.
Eu, até por pertencer a uma organização sindical que assinou o acordo, sinto-me de facto surpreendido com a facilidade e a ligeireza de resultados, mas pronto, como se disse e dirá, há mais dias para continuar a lutar por melhor vida, se esta assim continuar a ser o que é. Na prática, serei prejudicado em termos de acesso a um escalão que, também com alguma surpresa, apareceu a coroar a carreira, o que, nos casos como o meu, acaba por ser a negação da progressão por mérito que vinha perseguindo e que fui recebendo. Não se pode ter tudo, dirão alguns. Pois, mas agora, arrumada a luta de rua nos tempos mais próximos, é que se vai ver no que isto vai dar.
Continuo a achar que o modelo de avaliação proposto é mau e agora ainda por cima fica com uma história de dois anos verdadeiramente atribulada a manchar a sua fraca qualidade; considero que o ME não fez qualquer esforço de introduzir na carreira docente uma diferenciação positiva, quer em termos de acesso a certos cargos, quer em termos de remuneração provisória durante o exercício de chefias específicas; considero que continuam a patinar aquelas argumentações simplistas que querem comparar escolas a empresas e professores a soldados, pois, nas circunstâncias actuais de exercício da profissão, no ensino básico, a lei de bases ainda determina o que somos e como somos.
Em jeito de síntese, vamos então tratar agora de cozinhar com os ingredientes que temos à mão. O futuro não é muito promissor, mas cá nos havemos de defender.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





