(Antena Minho: 27/06/09) O último programa do ano lectivo de 2008/2009 na Rádio Francisco Sanches é a boa ocasião para lembrar o que se fez, o que ficou por fazer e o que poderá ser a nossa colaboração futura num projecto desta natureza. Eu penso que fez sentido para a comunidade este programa da Rádio Francisco Sanches, não só mas também para mostrar sensibilidades de participação, trabalhos projectados e conseguidos, estados de espírito, preocupações temáticas, desabafos e noticiário de iniciativas. A equipa da Rádio demonstrou a perspicácia inventiva suficiente, obteve as colaborações possíveis, manteve-se em esforço e em expectativa ao longo de todo o ano, mas acaba, estou certo, com um sentimento geral de felicidade e de obra conseguida. Eu dou-lhes os parabéns pela persistência, pela paciência, pelo esforço.
A estação mediática, a Antena Minho, provavelmente dirá das suas ambições de programação no futuro e logo saberemos até onde poderemos ir. Se houve dimensão que faltou ao nosso programa foi a da interacção com o público receptor, assunto ou estratégia de comunicação que ainda não conseguimos resolver, mas na qual pensamos e da qual precisamos. Muito certamente também a própria estação nos poderá facultar uma linha de acesso a esta participação da comunidade no próprio programa.
Quanto à minha pessoal participação, para além de motivar alunos e professores e colaborar pontualmente neste ou naquele programa, mantive a obrigação pessoal de ler uma crónica, mantendo cascas e aparas neste propósito de falar de tudo e de todos, deixando sempre de fora os mesmos e mais. Qualquer outro professor pode assumir este objectivo e eu estarei disponível para ceder o lugar de cronista. Considero-me satisfeito e compensado, não só pelas reacções, mas também pelo grão da voz que me concede mais tempo de permanência nas memórias auditivas, o que é sempre bom quando acontece o reconhecimento nos lugares mais estranhos e mais imprevisíveis. «Olhe lá, o senhor não fala na rádio? Gosto de o ouvir» - eis uma síntese mais que suficiente para a minha motivação se sentir compensada. Dizem que um cronista deve manter a actualidade do assunto dentro da surpresa da linguagem e embrulhar as duas num tom de voz propiciador. Sei que fiquei sempre aquém nestas dimensões, mas esforcei-me.
Foi um ano difícil e conflituoso, entre mim próprio e mim, entre mim e outros, entre quem manda e quem obedece. Foi um ano de frustrações e de arremedos, foi um ano pesado, mas foi também um ano de trabalho persistente e de teimosia para o fazer. Não adivinho o futuro, mas toda a minha esperança é de que o haja e ele seja complicado: anseio uma corrente de mudança que se exprima em ambiente de liberdade e de democracia, que afaste o peso excessivo da burocracia, mas não atire a simplificação arbitrária para cima da mesa, que respeite alunos e professores sem lhes diminuir inteligência ou vontade, que retome diálogos e que decida a tempo e horas.
É óbvio que me declaro desejoso de mudanças em sede da entidade patronal, mas não me exprimo ansioso por libertações enganadoras: só pode vir aí mais trabalho e mais responsabilidade, e eu só desejo que elas venham com a dignidade do salário e com a dignificação da minha pessoa. Mas por favor não voltemos ao tempo do insulto fácil dos agentes de ensino nem voltemos ao tempo da desconsideração contínua do nosso passado: as estatísticas estão aí e agora quem as quiser manipular pode fazê-lo. A guiar-me pelos comentários dos jornais eu ficaria com a ideia da instalação definitiva do facilitismo se não soubesse quanto trabalho é feito nas escolas e nas salas de aula.
O futuro terá nas mãos esta batata quente que é falta de perspectivas dos jovens, agora que ela ainda foi mais esquentada pela precipitação do sucesso a todo o custo. O futuro está aí a pedir-me a fúria, mas é de controle de nervos que vamos precisar. O futuro está aí a pedir-me o uso intensivo das tecnologias, mas é ainda de giz e quadro que vamos precisar. O Futuro está aí a pedir-me projectos atrás de projectos, visibilidade e exposição, mas é ainda de discrição e trabalho de formiguinha que vamos precisar. O futuro está aí a requerer ansiedades, mas é de desconfiança e dúvidas que me devo alimentar. Todas as boas recomendações metódicas me serão úteis. Só mais receio que se instale no meu espírito esta suspeita de vinganças que anda nos subterrâneos da democracia. Aconselho férias com atenção.
segunda-feira, junho 29, 2009
domingo, junho 28, 2009
Agora, em Salto


(Agradeço a fotografia ao R. M. de Montalegre que tem o cuidado de me enviar as imagens dos eventos realizados no município. Obrigado.)
quinta-feira, junho 18, 2009
56 - Ninguém mos tira
terça-feira, junho 16, 2009
O S. João na Cultura Popular

Sob a orientação teórica do professor Doutor Aurélio de Oliveira e com intervenções de José Machado e do grupo «Os Sinos da Sé», esta sessão cultural procurará falar do S. João em quatro dimensões:
1. Cartazes e iluminações: a fogueira verbal e visual que anuncia a festa: a configuração das ruas como espaço sideral, a configuração da comunicação como revelação de conteúdos, anunciadora de realidades. Os lançamentos de fogo e de balões como sintomas de purificação, de fuga e devaneio.
2. Percursos e procissões: corridas e correrias: passeios e caminhadas: as singularidades rituais da festa: os percursos assinalam roteiros de socialização (desfiles e rusgas, cerimoniais de cumprimento), consagração do território (a sacralização e a catequização) e escapadelas de excesso (gastronómicas, consumistas, recreativas). Toda a gente tem de possuir uma percepção de território propiciador de benesses, sejam elas provenientes do mercado nas suas variedades de oferta, sejam elas provenientes da socialização na sua tolerância de manifestações, gestos e palavras, sejam elas provenientes da expressão da religiosidade, cristã ou plural ou «pagã».
3. Sons e sonoridades: o hino sanjoanino e a dança do Rei David são os paradigmas de toda a construção musical: entre o instrumental e o coral, toda a festa vive mergulhada em manifestações musicais e coreográficas, sejam espontâneas ou organizadas. O improviso como estilo de cantares e a variação como estrutura modelar. Os cantares ao desafio como erupção de interditos e expressão de fantasias: os Cachadinhas (José Cachadinha e sobrinho Pedro Cachadinha) como «caso» de liberdade expressiva e postura «descomposta».
4. Os ícones e os símbolos: as figuras catequéticas (S. João, Cristo, Apóstolos, pescadores, S. Cristóvão, o menino), o balão, as ervas (alho porro, manjerico), o martelinho e o assobio (gaitas e pandeiros).
Esta sessão cultural constará de pequenas intervenções expositivas (Professores Aurélio de Oliveira e José Machado), de perguntas e respostas avançadas pela assistência, de intervenções musicais («Os Sinos da Sé») e de cantadores ao desafio: Os Cachadinhas de Ponte de Lima.
Esta sessão constitui uma singular iniciativa da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva com a finalidade de se constituir no futuro como palco privilegiado da festa nas suas dimensões literárias (narrativas e poéticas) e artísticas (gráficas e musicais)
Texto elaborado por José Machado. Professor, membro da associação «Os Sinos da Sé», animador da BLCS na hora do conto.
terça-feira, junho 09, 2009
Autoavaliação e Modelo de gestão
Aproveito-a para ilustrar as duas questões que coloquei ao Guinote, esse mesmo activíssimo professor da Educação do Meu Umbigo.
1. Andam por aí uma posições extremadas sobre a avaliação docente que devem ser clarificadas ao abrigo do parecer elaborado por Garcia Pereira. Ora pela leitura do mesmo, dentro de todas as ilegalidades, a luta dos professores que não entregaram OI, como é o meu caso, foi e é uma luta contra o modelo de avaliação do ME, mas sem ser contra o direito e o dever de o Estado, o patrão, nos avaliar, como decorre do ECD. A recusa de entrega de OI não é a recusa do dever de o Estado, seja lá como for e por quem for, me avaliar, porque todo o trabalho que desempenhei está feito e à vista de toda a gente. Portanto daqui decorre que a autoavaliação se deverá fazer nos moldes em que o Estado, através do Director ou não, determinar que se faça e deve-se entregar. Agora o que eu acho que se deve fundamentar é o seguinte: como é que eu, que recusei o modelo simplificado, tenho o direito de exigir ao Estado que me avalie e ele o deva fazer para eu a seguir me poder defender. Se eu achei que não tinha nada que definir objectivos, se eu achei que não tinha nada que pedir aulas observadas, se eu achei que os procedimentos de nomeação de avaliadores eram arbitrários e inconsistentes em termos deontológicos, se eu achei que a divisão da classe em duas categorias prejudicava a boa avaliação e não era garantia de boa formação, apesar disso tudo eu trabalhei, cumpri, dei aulas, desempenhei as tarefas que me foram distribuídas, portanto eu não posso ficar de fora da avaliação. Não lhe parece?
Agora, outra questão, sobre o modelo de gestão: numa sociedade democrática em que o desenvolvimento é alavancado por reformas, os cidadãos têm o direito e o dever de tomar parte em todas as instâncias da mesma, não sendo mais pertinente o estar de acordo ou em desacordo com a definição das políticas, e menos pertinente o bom desempenho ético das tarefas distribuídas. Numa sociedade de paradigma revolucionário, quem não concorda muda de trincheira e demite-se de colaborar, mas numa sociedade de pendor reformista, discordar não é impeditivo de exercer cargos ou de estar em instâncias de decisão. Portanto eu não compreendo onde é que um democrata pode encontrar fundamento para não se candidatar a Director ou para não pertencer a um Conselho Geral ou para não ser avaliador, posto que a reforma foi implementada por um governo legitimado e por uma parlamento. Recusar ou ser crítico, neste paradigma de sociedade democrática, estou em crer que é boa condição para o exercício de cargos, doutra forma cai-se em unanimismos, em «carneirada», o que pode ser pretendido pelos partidos no poder, mas não é certamente pretendido por uma cidadania responsável. Um professor limita-se muito se tomar como modelo de cidadania o paradigma político ou clubístico ou de seita ou de guerrilha ou de sindicatos que anda por aí... Você dir-me-á que os partidos cilindram quem discordar, ora aí está mais uma razão e boa para os que discordam dos partidos se candidatarem aos lugares que eles pretendem distribuir pelos amigos...
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