Volto à ideia da desconexão da aprendizagem com a disciplina, o que significa dizer que volto a uma questão que a Sra Ministra deixou pendurada na sua grande entrevista na TV há uns dias atrás. O problema que ela formulou foi o de se separarem as questões do comportamento e da assiduidade das questões da aprendizagem, dito por outras palavras, numa frase disjuntiva, trata-se de saber e de verificar se o aluno sabe ou não sabe, independentemente do modo como se comporta na escola.
Como se sabe o comportamento do aluno tem várias dimensões de observação, as mais importantes das quais são: a assiduidade de frequência, a pontualidade, a participação em aula, o cumprimento dos trabalhos de casa ou de outras tarefas escolares pós-aula, o cumprimento das regras escolares nos espaços e no horário escolares. Destas dimensões, vistas sob o ponto de vista comportamental, aquela que mais de perto se relaciona com as situações de aprendizagem, é a participação nas aulas, entendendo-se por participação a prática de comportamentos de civismo e de colaboração: ser educado, respeitar os colegas, obedecer aos professores, falar na sua vez, ser disciplinado em termos verbais, gestuais e corporais. Estou a falar de comportamentos em si, não estou a falar de comportamentos mobilizados para a aprendizagem.
Uma pergunta que se pode colocar com legitimidade é esta: mas haverá alunos que sejam indisciplinados, mal comportados e que saibam? Ou seja, haverá alunos que faltam às aulas, que não justificam a impontualidade, que brincam e falam a despropósito, que desobedecem aos professores, e que sabem? Nunca os vi, mas aceito que os haja por aí. De um modo geral tenho constatado que aluno indisciplinado é aluno que não sabe, ou que sabe o mínimo, sempre em gestão calculista da sua posição escolar. Também tenho constatado que o aluno que não quer aprender quanto mais se faz por ele, mais ele nos manda à fava e mais indisciplinado se torna.
Os alunos são descontínuos, isto é, têm momentos melhores e momentos piores, nem todos são uns santinhos, nem importa que o sejam, nem todos são sempre cidadãos exemplares, logo, aprendem depressa a tirar partido dos estilos e das gramáticas docentes e vão conjugando o comportamento e a aprendizagem com um interesse manifesto de afirmação, para o bem e para o mal. Ou seja, por outras palavras, eu tenho a prática da impossibilidade de separarmos as águas da disciplina e da aprendizagem, mas se o tiver de fazer julgo que sei por onde se deve ir:
a) De imediato, separando o comportamento disciplinar da aprendizagem, importa que a sala de aula volte a ser, e só, o espaço daqueles que querem aprender, logo, a prática de expulsão da sala dos insurrectos ou incumpridores deve implementar-se automaticamente;
b) Depois, separando o comportamento disciplinar da aprendizagem, importa que a escala de avaliação possa reflectir a diferença: não é esta escala colectivista de 1 a 5, ou de 2 a 5, que dá conta das distinções efectivas entre quem sabe e quem não quer saber;
c) Depois há que introduzir práticas pedagógicas de intensidade sobre a aprendizagem, e voltamos aos exames como chave da questão, porque é ainda aos testes e aos exames que todos nos referimos quando falamos num meio prático de saber se se sabe ou não se sabe alguma coisa;
d) A seguir, bom a seguir, tem de se mudar a Lei de Bases (e a Constituição) e onde se diz ensino básico universal, obrigatório e gratuito, tem de se dizer ensino livre, pessoal e com custos para o consumidor.
Mas perguntarão: a escola deve ou não deve recuperar os alunos indisciplinados? Deve e pode fazê-lo e fá-lo, é este o sistema que praticamos, mas sem separar o comportamento disciplinar da aprendizagem, porque um é a muleta do outro. Essa ideia de recuperar alunos indisciplinados com programas específicos, ou seja, dentro de programas que prevêem apenas aspectos comportamentais, não funciona, é como querer recuperar um trabalhador sem o pôr a trabalhar.
quinta-feira, novembro 29, 2007
sexta-feira, novembro 23, 2007
A graça dos frutos e as palavras do amigo
"Aos doentes fazia-se a vi(gi)ta que, para além da presença reconfortante, desejava-se, do próprio, constava de acúcar, uma bola de queijo, café (cevada) , uma galinha e o mais que a bolsa do visitante permitisse. Agora, resolve-se com uma mensagem e muita imaginação para construir o "ar" do
Caro amigo espero que melhores e te recomponhas pois fazes falta, mas devo
Hoje vou a Bragança apresentar as Memórias, estou de saída.
domingo, novembro 18, 2007
Trabalho em curso: escrever sobre o TC

sábado, novembro 03, 2007
Em Carvalho de Rei: as idades da música


sexta-feira, novembro 02, 2007
Ouvi-a e penso que
Ouvi ontem, dia 1 de Novembro, na TV em «grande entrevista», a Senhora Ministra da Educação. Penso que ela continua a revelar pouco à vontade com a comunicação social e que continua a dificultar-nos o entendimento das suas políticas, quer em termos de simpatia exterior, quer em termos de assertividade discursiva, quer em termos de relação com os parceiros sociais. De qualquer maneira, de quanto disse e de como o disse, face ao estilo do questionário e da questionadora, saliento:
a) A questão de querer passar para as escolas públicas a regulamentação da assiduidade e da disciplina. O país é pequeno e a escola pública fala muitas línguas, pelo que a autonomia aparece como solução de quem não sabe o que se deve fazer ou o que se pode fazer! Vamos então ver até onde irá a panóplia das soluções locais, se é que vai poder haver soluções locais, do género, esta escola faz assim e aquela faz assado, esta expulsa os faltosos, aquela obriga-os a exames, esta impõe-lhes multas, aquela desculpa-os.
b) A questão de querer desconectar a disciplina comportamental da avaliação, questão que se prende com a anterior, mas que pode ter uma visão global. Será possível? E se for possível é desejável? Seja, admito, mas a ser possível e desejável só com exames e então tudo bem: o aluno falta, que se prepare em casa para exames; o aluno porta-se mal e não modifica os seus comportamentos, que se prepare para exames. De outra forma, a burocracia ocupará o território com silvas e matos e ratos e outros parasitas de lixeira.
c) A questão dos rankings. Se é a Ministra quem neles não se inspira para tomar quaisquer decisões de política educativa, quem sou eu para lhes dar importância. Mas que não os aproveite para falar como falou do ensino particular: o despeito e o jacobinismo quando se associam fazem má figura.
d) A questão do ensino profissional em escolas públicas ditas «normais», ou seja, a inclusão do específico em regime de frequência gratuita, universal e obrigatória: persiste numa ideia que é de reduzida ou nula eficácia: quanto mais e melhor for qualificada uma escola, para a especificidade da sua oferta educativa, melhor funcionará; com esta inclusão de cefs e outros cursos congéneres na escola básica, não se vai a lado nenhum, mas se ela acredita, a fé a leve.
e) A questão das relações de trabalho preferenciais com os conselhos executivos: as comunidades escolares que se previnam, mas onde faltar a presença dos parceiros sociais, a democracia sai fragilizada e o autoritarismo tende a crescer.
a) A questão de querer passar para as escolas públicas a regulamentação da assiduidade e da disciplina. O país é pequeno e a escola pública fala muitas línguas, pelo que a autonomia aparece como solução de quem não sabe o que se deve fazer ou o que se pode fazer! Vamos então ver até onde irá a panóplia das soluções locais, se é que vai poder haver soluções locais, do género, esta escola faz assim e aquela faz assado, esta expulsa os faltosos, aquela obriga-os a exames, esta impõe-lhes multas, aquela desculpa-os.
b) A questão de querer desconectar a disciplina comportamental da avaliação, questão que se prende com a anterior, mas que pode ter uma visão global. Será possível? E se for possível é desejável? Seja, admito, mas a ser possível e desejável só com exames e então tudo bem: o aluno falta, que se prepare em casa para exames; o aluno porta-se mal e não modifica os seus comportamentos, que se prepare para exames. De outra forma, a burocracia ocupará o território com silvas e matos e ratos e outros parasitas de lixeira.
c) A questão dos rankings. Se é a Ministra quem neles não se inspira para tomar quaisquer decisões de política educativa, quem sou eu para lhes dar importância. Mas que não os aproveite para falar como falou do ensino particular: o despeito e o jacobinismo quando se associam fazem má figura.
d) A questão do ensino profissional em escolas públicas ditas «normais», ou seja, a inclusão do específico em regime de frequência gratuita, universal e obrigatória: persiste numa ideia que é de reduzida ou nula eficácia: quanto mais e melhor for qualificada uma escola, para a especificidade da sua oferta educativa, melhor funcionará; com esta inclusão de cefs e outros cursos congéneres na escola básica, não se vai a lado nenhum, mas se ela acredita, a fé a leve.
e) A questão das relações de trabalho preferenciais com os conselhos executivos: as comunidades escolares que se previnam, mas onde faltar a presença dos parceiros sociais, a democracia sai fragilizada e o autoritarismo tende a crescer.
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