1. A escola é um lugar de aprendizagem e realiza-se como tal. Vale o esforço e compensa-o. A escola vale também por ser fonte de maldizer e se prestar a todos os desabafos.
2. A escola é um espaço receptivo a decisivos jogos ou peladinhas de futebol, com embalagens vazias de iogurte a fazer de bola, ou latas de sumos, ou embalagens de não sei quê. Normalmente o número de jogadores é limitado, mas as regras existem e cumprem-se: marcam-se livres e penaltes, as fintas sucedem-se, os golos festejam-se ruidosamente.
3. A entrada principal da escola tem sempre muros abertos à escrita de todas as intenções; os seus muros interiores também, ainda que nem sempre de acordo com as regras da ortografia, mas sempre de acordo com as regras da frustração. Nos placares ou no quadro, mas também ali, junto à fita do estore, à margem da carteira, no fundo da sala, longe do quadro, a parede e a pedra mármore do parapeito da janela ficam receptivas à escrita. Frequentar a escola quer dizer usá-la com frequência? E usar a escola quer dizer transformá-la em caderno de apontamentos?
4. A CMB repavimentou o passeio exterior de acesso aos portões da nossa escola. Mas uma obra necessária era também a marcação dos lugares de estacionamento e a melhoria da estrada de saída para o mundo.
5. Existe o mundo subterrâneo das carteiras escolares, basta olhar para debaixo dos tampos. As inscrição poderão sempre ler-se em vários sentidos, conforme as marcas, mas algumas sugerem-nos intenções possíveis: Eu escrevi nesta carteira para experimentar o corrector, Eu comecei mas outros continuaram, Eu não consegui fazer o que queria, Foi a melhor maneira que tive para passar o tempo de aula, Consegui fazer sem ser incomodado, Para a próxima termino o texto. Os correctores são uma invenção do nosso tempo. As chiclas moram nas costas das carteiras, em lugares opostos aos dos livros, mas em lugares que os dedos aproveitam sempre muito bem. E se as chiclas não colassem? Já agora, deve-se dizer chicla ou chiquelete ou chiclete? Se não se diz biciquelete, mas bicicleta, deveria ficar chicleta?
6. A Escola em dias de nevoeiro não é a mesma coisa que o nevoeiro nos dias da escola, pois não? Mas que há um sossego próprio dos espaços escolares, lá isso é verdade. Valha a verdade, a escola sossegada é um desejo absoluto, mas não tem interesse, nem para o nevoeiro. O barulho solar ou a confusão dos dias de inverneira dão-lhe outro fastio, outra vontade de comer.
7. A escola dá fome, na escola come-se muito e mal e estraga-se a comida como sinal de afirmação das indecisões do crescimento. Quando os alunos atiram com pão uns aos outros, na cantina, mexem abusivamente nos símbolos e desafiam o sentido do mundo. A educação não cresce por instinto, de facto.
8. Na sala de professores passa-se o tempo, gasta-se o tempo, nunca se ganha tempo.
quarta-feira, julho 19, 2006
O Tomás
O nosso sobrinho, e proximamente afilhado, Tomás, filho do meu irmão Fernando e da Paula, já pais do Francisco, residentes no Porto, ele de Jales, ela de Mogadouro, um casal
de pergaminhos. Que o tempo futuro nos permita enriquecedoras oportunidades de aprendizagem na arte de educar um jovem a sentir-se feliz no melhor dos mundos possíveis. Dizem que chora muito, que só quer a mãe, que dá muita canseira, mas que é encantador, que está a crescer a olhos vistos, que qualquer dia não vai acreditar que deu mau dormir, que fez birra, que mamou com exagerada frequência. Qualquer dia vai estar a jogar a bola com o Francisco e com os pais e estes é que se vão aborrecer com frequência, porventura fazer birras ou então abandonar o jogo para comer.

domingo, julho 09, 2006
Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Braga

quarta-feira, julho 05, 2006



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