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quinta-feira, janeiro 15, 2009

Independentemente de outros dizeres...

1. Independentemente de todas as observações já feitas sobre a falta de simplicidade no modelo «simplex» e independentemente da questão de falta de ética na divisão da carreira em professores titulares e não titulares, acho que se deve pôr à consideração de todos o seguinte problema: o concurso para professores titulares foi ou não, ou, é ainda ou não, considerado pelo ME uma «avaliação dos professores»? Se não foi ou não é, o que é que permite ao ME dizer que os PT são os melhores e mais habilitados para avaliar os outros? Se foi, o que leva o ME a não dispensar da avaliação docente os Professores Titulares? É óbvio que esta questão pode parecer «a destempo», mas creio que faz sentido. Vejo razões para nunca ter feito parte do caderno reivindicativo (se estamos contra a divisão, não vamos mobilizá-la como argumento), mas o ME tem de ser confrontado com o pretenso valor avaliativo que deu ao concurso para professores titulares e este argumento, não tendo peso na avaliação retira todo o peso que se lhe quer dar com a análise das competências docentes que estão para além do simples «acto lectivo». Se o concurso foi um acto avaliativo, para quê, passado um ano, voltar a avaliar os mesmos?

2. Independentemente de outras perspectivas, a greve marcada para o dia 19 de Janeiro será um acto cruel sobre nós próprios: já nada dizemos com ela - se discordámos do modelo de avaliação no seu todo, é óbvio que também discordaríamos da sua versão dita «simplex»: em nada se reduziu a injustiça do modelo, em nada se desburocratizou a sua organização e o seu preenchimento, em tudo se acentuou a sua perniciosa intencionalidade de «humilhação» da classe. Esta greve terá de servir para se repensar toda a estratégia final do exercício da cidadania política quando se discorda de raiz: a conflitualidade contemporânea tem demonstrado que a insensibilidade do poder aos argumentos da razão só gera desacatos e maledicências, cria compressões de raiva e de descontentamento, gera atrofiamento de vontades, introduz na conversa esse argumento espúrio de «salvar a face, sem perder a honra», revelador da miséria contemporânea de querer estar de bem com todos sendo de lado nenhum.

3. Independentemente de saber os resultados da greve de segunda-feira dia 19 de Janeiro, importa saber se os resultados da crise, anunciados que estão a ser de forma crescentemente dramática, alguma vez vão permitir recuperar o sentido do estudo e da formação, que o mesmo é dizer, o sentido da escola.

4. Faço greve e jogo nela a minha penúltima carta. Se perder, tudo farei para mudar de vida...

11 comentários:

Anónimo disse...

Também vou fazer greve e na minha escola todos vamos fazer.

Ibel disse...

Zé,

Deixas-me enviar este texto para o Ramiro Marques?
Deixa aqui a resposta. É necessári dá-lo a conhecer a todos os professores.É Urgente!
BEIJO FIDALGO

Anónimo disse...

Tudo bem, Isabel, envia. Obrigado. JM

José Hermínio da Costa Machado disse...

Tudo bem, Isabel, envia. Obrigado. JM

José Hermínio da Costa Machado disse...

Tudo bem, Isabel, envia. Obrigado. JM

gracinda disse...


Vendo que já deixaste a Isabel mandar para o Ramiro Marques eu vou mandá-la aos meus colegas de escola .posso? Obrigada e um abraço
gracinda

Anónimo disse...

O ME conseguiu alcançar o seu objectivo: criar o caos nas escolas públicas ao ponto de muitos dos nossos EE nos dizerem que se tivessem muito dinheiro tiravam os seus filhos desta escola para os pôr no privado.
A escola já não é o que era, quem sabe um dia a paz volte ao ensino, isso só vai acontecer quando o nosso ME deixar os profs trabalharem em paz nas suas escolas. Podiam lembrar-se de avaliar a falta de condições de muitas escolas onde muitas vezes nem aquecimento ou giz há!
Afinal o que está na moda é avaliar os profs!

Anónimo disse...

e se fosse só a falta de aquecimento ou de giz!...
há tanta coisa que se deveria fazer para melhorar a qualidade do nosso ensino publico...
pouco ou nada se investiu no ensino ao longo de décadas...mas o grande problema para o ME são os profs...

Castro disse...

Descobri o blog há pouco tempo, por texto postado em R.Marques.
Independentemente de outros dizeres,vai um excelente.

Anónimo disse...

Que tipo de ''avaliação'' foi essa do concurso para professores titulares?
Acha mesmo que todos os providos a titulares são melhores e mais habilitados do que muitos dos que injustamente e/ou de forma fraudulenta não foram?
E o que me diz da falta de transparência do processo??? Não terão sido cometidas fraudes??? Não se terão beneficiado os ''amigos'' e prejudicado outros???
Talvez, melhor do que ninguém, saiba responder a estas questões...
E agora vem defender que os titulares já foram avaliados??!!...
Tenha vergonha e um pouco de bom senso... Não lhe ficariam nada mal!!!

José Hermínio da Costa Machado disse...

Ao anónimo das 9:36:
A atribuição do estatuto de avaliação ao concurso para professores titulares não é de minha autoria, mas decoore da interpretação que os serviços centrais fizeram desse concurso; o concurso em si teve regras transparentes q.b. e não permitia, tanto quanto soube por ter sido certificador (dadas as minhas funções)introduzir amigos nos critérios. Se você sabe de casos, denuncie-os. Eu achei o concurso profundamente injusto e arbitrário por se ter restringido a sete anos e ao exercício de cargos. Leia então o que escrevi e deduza que «a ser atribuído um carácter de avaliação ao concurso para PT, injusta ou parcial que tenha sido, os mesmos professores não deveriam ser sujeitos a um modelo de avaliação, até porque só os PT podem ser avaliadores de outros, o que pressupõe que algum concurso os avaliou como tal».
NB. Não concebo o blogue como espaço de destampatórios, portanto tenha respeito e firme-se nos seus argumentos. Obrigado pela atenção.