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quarta-feira, novembro 10, 2010

Todos estes anos nos surpreenderam!



Pois foi assim que aqui chegámos e agora esperamos a nossa parte na crise anunciada. Não o deveremos fazer resignados, mas tão pouco nos deveremos fazer passar por revolucionários. Na nossa juventude investimos em sonhos de mudança, convencemo-nos da eficácia militante, porventura mais eu, mas tudo não passou de uma aprendizagem de manuais, os resultados nunca nos espantaram, nem os quereríamos se por acaso se tivessem tornado realidade. Os que ficaram com a marca extremada de sonhadores estão hoje a governar-nos e deixam-nos transidos de vergonha com o que fazem e o que omitem e até nos inspiram medo se por acaso forem mais longe em seus poderes no Estado. Foi então uma geração perdida? Não o terá sido se as novas gerações aprenderem com estes erros acumulados e se, sobretudo, tiverem a coragem de nos denunciar como obsoletos sonhadores. Emendo, não os deveremos deixar denunciar-nos: nós próprios o deveremos fazer e mostrar-lhes onde nos enganámos: quisemos merecer mais do que aquilo para que trabalhámos; quisemos o poder para conquistar o que não merecemos por nosso esforço pessoal. Estão lá os nossos companheiros a querer o que não mereceram e como já não sabem onde ir buscar o dinheiro de que precisam conceberam o esbulho dos nossos bens. Foi aqui que chegámos. Nossos pais ganharam um salário e com ele nos educaram. Nós vamos ter de dar o salário a antigos companheiros de trincheira para eles culminarem a incompetência. Estamos bem, apesar de tudo, mas um tanto desiludios, não é? Um tanto é favor...

1 comentário:

Na isti parti di mundo disse...

BRAVO ! BRAVO !

As palavras serão sempre poucas para descrever... mas basta olhar para a maravilhosa "pintura" para sentirmos a alma dos grandes homens e mulheres que têm a capacidade de mudar o mundo e seguir em frente.

Esta semana li um artigo de Vitor Serpa que dizia : "o tanto que eu devo às dúvidas da minha vida".

Bravo, José.

Até sempre.