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quarta-feira, dezembro 23, 2009

A neve e as couves do Natal



Saí de Braga às 8.25, depois de comprar o DN no quiosque do meu prédio. No alto da Lameira apareceram os primeiros sinais da neve, mas passei bem até à portagem do Arco de Baúlhe onde a polícia trancava a via para Ribeira de Pena e obrigava toda a gente a meter para a portagem. Armado em conhecedor do terreno disse para mim que iria pela estrada antiga e assim fiz, passei o Arco, maldisse do estado em que a estrada se encontrava, nuns lados água em poça larga, noutros a berma caída até ao meio; em Daivões já a neve estava carregada, uns seis quilómetros acima não se passava, toca a dar a volta e a vir para trás. Pensei que era tempo ocupado e regressei à portagem, tudo na mesma, uns parados na hora, outros ali há três horas; fiz companhia a uns falantes e curiosos. Apareceu o Bertinho directo ao assunto, que o mariconço nem limpa-estradas tinha e sonhava com altas velocidades, raio de país, raio de governo, raio disto e daquilo e era meio-dia, ordem para seguir.


Depois da portagem de Ribeira de Pena a neve impunha alguns cuidados, a descida para Vila Pouca redobrava-os, segui para Vila Real que me pareceu a estrada mais limpa, fui à volta como se lá diz, por Mouçós, pelos carrujos ou Senhor dos Aflitos, pela Barrela, até Raiz do Monte, casa dos meus pais. Deixei o carro na estrada já virado para sair e entrei. Meu pai estava ansiosíssimo à espera de minha irmã que viria do Algarve e afligia-se com o tempo. De mim, sabia que ia pelas couves e logo que as tivesse abalaria. Almocei breve que meu pai já almoçara e minha mãe estava a descansar. Calcei as galochas e fui-me às couves, lá para o fundo do terreno, com o conselho de cortar as mais velhas. Todo o terreno estava alagado em neve e água. Desenrasquei-me e de três carradas trouxe couves para meu pai e para mim. Meu pai disse que foram plantadas tarde e que se a neve as amaciava também as estragava, mas que bem estavam para o tempo que que foi o de crescerem.

A espera ainda deu para tirar as fotografias. Minha mãe sente tudo e dá-se conta, como diz a Hermínia, nossa dedicada empregada. Meu pai tem o desassossego. Este Natal vai ser ali na casa deles, a Zeza assumiu fazê-lo. Meu pai tem tudo preparado. Minha mãe assiste em silêncio a tudo e pouco diz. Mais pela tardinha vai chegar minha irmã Bibita, de Lisboa, com ordem para ninguém se afligir que em Vila Pouca arranjará taxi. Meu pai sabe da neve e dos cuidados, tudo estava a pensar para arranjar o transporte à rapariga. Meu pai não gosta de ser dispensado de coisa alguma. Minha irmã Zeza chegou com a família toda pelas três da tarde, eu tinha ido ao café desejar as boas festas a todos. Cheguei e cumprimentei-os. Meus três sobrinhos estão como árvores, altos e imponentes, bem parecidos. Tudo lhes corre bem. Meu cunhado tem um braço ao peito, mazela de outra neve. Os sogros de minha irmã estão bons.
Pôs-se a mesa e começaram a almoçar. Aproveitei para as despedidas e regressei, pelo mesmo lado de curvas e de paisagem. Nevoeiro cerrado em alguns troços, estrada razoavelmente limpa e sem neve depois do Arco. Eu bem sei que como as couves mais caras de todas as festas e bem me custa que uma folha sequer se desaproveite.

2 comentários:

Sílvia disse...

Um Natal muito Feliz para si e para os seus.
Beijinhos nossos:)

Anónimo disse...

Bom Natal