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segunda-feira, outubro 13, 2008

Segada em Paredes do Rio, Montalegre. A fotografia foi-me enviada pelo assessor de imprensa da CMM, Ricardo Moura.

Tratou-se de uma reconstituição ou revivência, uma emulação por uma actividade colaborativa, de entre-ajuda, de partilha, que hoje se considera valor a preservar, mesmo que nem seja o trabalho em si, mas a memória dele, com o gosto do centeio no coração e as lembranças na boca.

Partilho a imagem, que em Jales também assim andei de malho a reconstruir o que só vi fazer e cantar, com aquele ritmo da cantiga «sete varas tem, tem a minha saia noba...».

Da imagem passo para a escola: o salto é grande só na realidade, que nos sentimentos é mínimo. Por que raio de cultura somos capazes de protestar na rua a recusar a avaliação e não somos capazes de a recusar nas escolas? Por esta mesma necessidade de malhar em grupo, de juntar vozes? E as escolas não são eiras de pão?

Da escola passo para a crise: o salto é mínimo nos pressupostos, mas grande no aparato monetário. É que eu vejo na cultura do sistema de avaliação imposto ou a impor, os mesmos fundamentos de incompetência com que os analistas começam a explicar a crise financeira: que crescem monstros a partir de teorias de vazio, que se fazem orelhas moucas a críticas de intuição humanista e que depois é a burocracia esmagadora. Já não dá para ver que os incentivos a prometer aos gestores vão dar na especulação de competências, de objectivos, de planos, de projectos e de outras invenções de arremesso? As poupanças monetárias das quotas libertam massa para pagar a génios de gestão? Não vamos pagar a incompetentes?

Volto às malhas: minha mãe e meu pai ainda hoje lamentam e choram o trabalho exaustivo que se tinha em anos de pouco pão, quando os malhos batiam em seco, não saltava o grão e a despesa era a mesma.

Volto à escola: desespero com a carga de trabalho inútil que me é imposta, é trabalho que me afasta de tanta leitura e de tanta imaginação. As horas a ler legislação e a preencher papéis que não fazem avançar o mundo, vão-me fazer falta um dia destes. Sinto-me pobre!

3 comentários:

Gracinda disse...

É isso Zé...vamos ficar pobres de tempo, que nos dava tanta riqueza para investirmos nos alunos, na cultura...na sociedade, no presente e no futuro do nosso país!
O professor tem missões para além dos muros da sala de aulas.E o país precisa. Mas estamos pobres de tempo, como dizes!O tempo gastámo-lo em desperdícios!
Um abraço
Gracinda

isabel fidalgo disse...

Também me sinto pobre,Grande Zé, mas o que eles querem é que os olhos se fechem para a leitura das coisas valiosas. Assim, a "merdalhada" será "magalhães(mente)"reconhecida.

Anónimo disse...

Pobres e exaustos, é como os professores se sentem já e as aulas só ainda começaram há 1 mês...
papeis e mais papeis...
objectivos e mais objectivos...
grelhas e mais grelhas...
mas será que alguém lá no seu gabinete no centro da capital se lembra das aulas que é preciso programar e dos testes que é preciso preparar e corrigir???
devem andar esquecidos...


docente a pensar nos objectivos como tantos outros