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segunda-feira, março 03, 2008

Começar de novo!

29 de Fevereiro foi dia para quatro anos e a noite foi noite para novos dias, assim o espero, sem ilusões e sem queixumes, enquanto a conversa for dando frutos.

A imagem mostra o que o meu telemóvel conseguiu, naquela Praça do Município Bracarense que se encheu de luzes e de vozes, sexta-feira à noite.

Já não frequentava manifestações desde o ano de 1978, data em que entrei para estágio pedagógico e data em que saí, por expulsão, do único partido em que militei as horas mais perdidas e as mais imerecidas, porventura só as mais ganhas em experiência pessoal.

Fui sempre sócio do mesmo sindicato de professores, o SPZN. Continuo.

Tenho empenhado a liberdade em causas erráticas, tenho gasto o corpo em projectos provisórios, tenho ganho o salário na escola.

Na escola fiz de tudo: delegado ou coordenador, director de turma, orientador e supervisor, membro do CE, membro e presidente da AE, membro do CP. Passei em todas as avaliações e sistemas que para o mesmo efeito se conjugaram.

Começar de novo é um apelo pessoal e neste caso quererá dizer que o futuro na escola se deverá pautar pela sua redução ao essencial, naquela perspectiva em que António Nóvoa falou de a diminuir, emagrecer, mingar, para ser mais eficaz, e naquela perspectiva em que António Gedeão a recordou como sendo sempre palco e território dos mesmos problemas, das mesmas queixas e dos mesmos resultados, esses mesmos de estarmos sempre aquém e a dizer mal de nós.

Até aqui, e aqui é este pressuposto de que um Governo qualquer, mas este desde logo que tanto nos zurziu, até aqui nós dispusémo-nos a tomar todas as iniciativas e a desenvolver todas as actividades para animação do espaço escolar, alcançando meca e seca, porventura perturbando mais do que aproveitando. Não faltaram nem a imaginação nem a irreverência, nem o excesso nem a preguiça.

De aqui para a frente, a escola será um palco de brilhos sociais, políticos e administrativos, uma roda viva de interesses locais e regionais, um desfibrilhador de trombosias. Será, se entretanto o «impraticável monstro» se instalar e for avante, seja na gestão, seja na avaliação, seja no ensino especial, seja no ensino artístico.

Se me perspectivo a trabalhar para um chefe, interrogar-me-ei sobre o meu ponto de partida, imaginarei a partir do irredutível da função os limites das propostas e terei mais que nunca em conta que aos alunos só interessarão as actividades que decorrerem do currículo a que se obrigam nas áreas disciplinares.

Não está em causa não cumprir ou cumprir com lassidão de propósitos e má catadura de rosto.

Está em causa fazer, com toda a estratégia que um fazer deve pensar para ser eficaz.

Mantenho a disponibilidade total para formar os novos, assim precisem eles da memória de quanto fiz e vi fazer.

Nota: eu fui daqueles que não gostei que um célebre professor de literatura tivesse chamado às «ciências da educação» ciências ocultas, mas que ele sabia o que disse e do que eu verifiquei, disso darei testemunho.

5 comentários:

TempoBreve disse...

Caro Zé!

Espero que não tenhas visitado o meu blogue para não te teres assustado.
Deixas-me subscrever o teu texto inteiro, com alguns resmungos pelo meio?
Gostei tanto de te ver na sexta-feira, ali à frente, a esbracejar para mim.
Não te perdoo que não tenhas lido o meu texto sobre essa manifestação. Tu estavas dentro desse texto.
Vai um abraço?

António Mota

José Hermínio da Costa Machado disse...

António Mota, eu leio todos os teus textos e espero que mantenhas a energia que demonstras. Estou de acordo no essencial e só não estarei em Lisboa porque já tinha compromissos de outra ordem. Força. JM

Isabel Fidalgo disse...

Querido Zé!

Eu leio os teus textos, mas tenho cometido o pecado de não os comentar. Tu sabes o quanto te admiro e o respeito que sinto pela tua sensibilidade e inteligência.
Ao ver a fotografia dos teus pais agradeci-lhes, pois tiveram que se ter amado de paixão para produzir um filho assim.
Abraço.
Isabel Fidalgo

Anónimo disse...

Zé :
Toma lá o texto que descobri no blog da marta que é tan´mbém para ti.
"Sou filha de professores, afilhada de professores, amiga de professores, aluna de professores. Professores BONS!
Como a minha, muitas vozes ficam por ouvir. Não tenho qualquer base científica para me pôr para aqui a falar de “as avaliações isto”, “as avaliações aquilo". Mas, não tendo base científica, tenho o testemunho de uma vida!
Não vou tentar remar contra aqueles que desconhecem a realidade da vida de um professor. Eu conheço-a e bem. E cheia de bons exemplos. Deixo apenas a minha indignação.
E aos MEUS professores quero dizer que parem um segundo. Olhem à vossa volta!Para além do mundo escola, há muito mais: há filhos crescidos, com um futuro promissor; há netinhos que vos enchem o coração; há viagens e almoços de Domingo; há música. E, acima de tudo, há um sem número de alunos que com a maturidade certa vos reconhecem. E lembrem-se disto sempre na luta que travam. Lembrem-se disto, que isto ajuda.
Nós ajudamos, como podemos. Ajudamos a defender-vos porque sabemos o que vocês valem. E vocês devem ter sempre presente o valor que sabem que têm. E devem orgulhar-se dos vossos anos de carreira, de que nós, filhos, muito nos orgulhamos também.
Sei que é difícil, com tantas convicções abaladas. Mas tentem. Tentem por vocês. Tentem por nós. Embora mesmo crescidos, vamos precisar SEMPRE do vosso exemplo. É o que estais a fazer agora. Vamos precisar sempre de vós.
Mamã, Papá, Madrinha, Padrinho, Ana “da Martinha” e minha também, meus professores: não duvidem. Lutem. Como sempre lutaram pelo que é justo. E é JUSTO que sintam o que sentem. Mas sei que mesmo abalados, vocês não se vão deixar abater. E eu vou estar ao vosso lado."

Publicada no blogue de origem na Sexta-feira, Março 07, 2008

A tua amiga e orgulhos amãe de meus filhos
Gracinda

Anónimo disse...

Zé:
Estou longe de ti no que deste à educação,no que deste ao país nas sementes que lançaste em tantos alunos e tantos professores...mas cada um dá o que pode e no meu fraco poder dei tudo também.Por isso sinto-me de consciência tranquila pelo meu passado e presente profissional...mas neste momento tenho na garganta um grito contido! Esse grito é por tudo o que nos teus últimos textos tens deixado sobre esta maré que nos agita e que pronuncia maus momentos para a EDUCAÇÂO e o futuro deste país que num Abril passado outras coisas sonharam e acreditaram e não pensaram nunca ver matar demagogicamente
Um abraço amigo
Gracinda